Saúde no Distrito Federal: entre a crítica descontextualizada e a realidade técnica da gestão pública.
A recente repercussão de trechos de uma entrevista concedida pela governadora em exercício Celina Leão ao Correio Braziliense tem sido utilizada por determinados setores para sustentar uma narrativa de colapso estrutural da saúde pública do Distrito Federal. Trata-se, contudo, de uma leitura parcial, descontextualizada e tecnicamente imprecisa do funcionamento do sistema de saúde e dos instrumentos formais de avaliação utilizados pela administração pública.
Ao afirmar que a saúde figura entre as áreas mais elogiadas na Ouvidoria do Governo do Distrito Federal (GDF), Celina Leão não emitiu opinião subjetiva nem discurso político retórico. A declaração baseia-se em dados oficiais de gestão, oriundos de canais institucionais de escuta social, que registram manifestações espontâneas da população sobre serviços públicos prestados elogios, sugestões, solicitações e reclamações, todos tratados de forma sistematizada.
Ouvidoria não mede ausência de problemas, mede percepção do usuário
É fundamental esclarecer um ponto técnico frequentemente ignorado no debate público: índices de elogio em ouvidorias não significam inexistência de gargalos, mas sim reconhecimento de avanços, acolhimento, resposta institucional e melhoria progressiva dos serviços. Sistemas de saúde públicos, sobretudo em capitais e regiões metropolitanas, operam sob pressão permanente de demanda, inclusive absorvendo pacientes de outras unidades da federação.
O Distrito Federal, por sua posição geográfica e estrutura hospitalar, atende diariamente milhares de pacientes oriundos do Entorno e de outros estados, o que impacta diretamente filas, ocupação de leitos e tempo de espera.
Ainda assim, a gestão tem avançado em áreas sensíveis como ampliação de atendimentos, reorganização da atenção primária, informatização de processos e fortalecimento da regulação.
Judicialização não é sinônimo de falência do sistema
Outro equívoco recorrente está na tentativa de associar a judicialização da saúde a um suposto colapso administrativo. Tecnicamente, isso não se sustenta. A judicialização ocorre em todos os sistemas públicos de saúde do país, inclusive em estados com altos índices de investimento per capita.
Na prática, ações judiciais refletem:
• Maior conscientização do cidadão sobre seus direitos;
• Ampliação do acesso ao Judiciário;
•™Casos específicos de alta complexidade;
•™Demandas excepcionais por medicamentos ou procedimentos fora de protocolos padrão.
Portanto, a atuação do Judiciário não comprova falência de algo, mas sim a existência de freios institucionais e garantias constitucionais, plenamente respeitados pelo GDF.
Atuação do Ministério Público: instrumento de aperfeiçoamento, não condenação política
A atuação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios junto ao GDF e ao IGESDF deve ser compreendida dentro do Estado Democrático de Direito.
Recomendações, ações civis públicas e termos de ajustamento de conduta não caracterizam omissão, mas sim mecanismos legais de aprimoramento contínuo da política pública.
Importante destacar que a atual gestão:
• Reforçou contratos e chamamentos emergenciais;
• Avançou na ampliação de unidades e serviços;
• Implementou mudanças estruturais na governança hospitalar;
Enfrentou, com responsabilidade, os efeitos pós-pandemia que ainda pressionam o SUS em todo o Brasil.
Problemas existem, mas a narrativa do caos não se sustenta.
Negar desafios seria desonesto. Contudo, transformar dificuldades estruturais históricas em discurso de colapso absoluto é politicamente oportunista e tecnicamente raso.
Episódios pontuais, protestos isolados ou falhas localizadas não podem ser utilizados para invalidar um conjunto amplo de ações, investimentos e resultados concretos alcançados nos últimos anos.
A fala de Celina Leão reflete dados administrativos, relatórios oficiais e indicadores institucionais, não narrativas emocionais ou disputas ideológicas.
Responsabilidade, dados e gestão pública séria. Ao contrário do que sugerem interpretações enviesadas, a governadora em exercício Celina Leão está alinhada à realidade técnica da administração pública, baseada em métricas institucionais e instrumentos oficiais de avaliação. A saúde do Distrito Federal enfrenta desafios, sim como qualquer sistema público de grande porte, mas também apresenta avanços reconhecidos pela própria população nos canais formais do governo.
Desqualificar esse reconhecimento não fortalece o SUS. Pelo contrário: enfraquece o debate público e ignora dados objetivos, fundamentais para a construção de soluções reais.
Governar não é negar problemas, mas tampouco é se curvar a narrativas que desinformam. Nesse ponto, a governadora Celina Leão está correta técnica, administrativa e institucionalmente.
Quando a falsa informação prejudica quem mais precisa do serviço público
O Distrito Federal vive hoje um paradoxo comunicacional perigoso: enquanto dados oficiais, relatórios técnicos e indicadores institucionais apontam avanços concretos na gestão pública da saúde, determinados canais que se auto intitulam informativos optam por construir narrativas próprias, desconectadas da realidade administrativa, criando um ambiente artificial de caos permanente.
Esses canais não informam, confundem. Não fiscalizam, descredibilizam. E, ao fazerem isso, acabam se afogando nas próprias contradições narrativas que criam, prejudicando diretamente a população do Distrito Federal. A desinformação não apenas distorce fatos, mas afasta o cidadão dos serviços, gera medo, desestimula a busca por atendimento e compromete a confiança institucional, elemento essencial para o funcionamento de qualquer sistema público.
A fala da governadora em exercício Celina Leão foi clara, técnica e baseada em dados oficiais: a saúde figura entre as áreas mais elogiadas nos canais formais de escuta do Governo do Distrito Federal. Transformar esse dado objetivo em “negação da realidade” é um exemplo clássico de manipulação informacional, onde fatos são deliberadamente descontextualizados para sustentar discursos previamente definidos.
O problema central dessas narrativas não está na crítica, crítica é legítima e necessária, mas na substituição da informação por militância travestida de jornalismo. Ao ignorar dados consolidados, recortar falas oficiais e amplificar episódios pontuais como se fossem regra absoluta, esses canais produzem um desserviço social: alimentam o descrédito, aprofundam a desconfiança e dificultam soluções reais.
O jornalismo responsável atua em sentido oposto. Ele:
• confronta versões com dados;
• diferencia falhas pontuais de políticas estruturais;
• reconhece desafios sem negar avanços;
e, sobretudo, coloca o interesse público acima do engajamento artificial.
Quando a desinformação domina o debate, quem perde não é o governo é o cidadão, especialmente aquele que depende exclusivamente do SUS.
Criar a sensação de colapso permanente não melhora o sistema; ao contrário, fragiliza o diálogo, desorganiza fluxos de atendimento e gera pânico social desnecessário.
Portanto, desmentir essas narrativas não é defesa política, é defesa da verdade, da responsabilidade pública e da população do Distrito Federal. Informar com seriedade é um ato de compromisso social. Desinformar, ainda que sob o rótulo de “denúncia”, é uma forma silenciosa de prejudicar quem mais precisa do serviço público.
DOSSIÊ TÉCNICO – SAÚDE DO DF
Gestão Ibaneis Rocha & Celina Leão (4 anos)
LINHA DO TEMPO – POR ANO
• ANO 1 – REORGANIZAÇÃO E RECOMPOSIÇÃO DA REDE
Foco: reconstrução administrativa, pessoal e emergências
– Nomeações e contratações
– Convocações iniciais de médicos, enfermeiros e técnicos
– Reforço imediato do SAMU e UPAs
– Reposição de quadros deficitários herdados
Gestão
– Reorganização da Secretaria de Saúde
– Revisão de contratos
– Planejamento de médio e longo prazo para expansão hospitalar
ANO 2 – EXPANSÃO DO EFETIVO E OBRAS ESTRUTURANTES
Foco: pessoas + infraestrutura
– Nomeações
– 726 médicos concursados
– Ampliação do quadro de enfermagem
– Agentes comunitários de saúde
– Obras e projetos
– Início do planejamento de novos hospitais
Licitações de UBSs
– Reformas em hospitais regionais
ANO 3 – GRANDES OBRAS, UPAs E MODERNIZAÇÃO
Foco: estrutura física e urgência/emergência
– Novos hospitais
– Hospital do Recanto das Emas
– 100 leitos
– Hospital Clínico Ortopédico do Guará
– 160 leitos
– Hospital Regional de São Sebastião
– Ordem de serviço anunciada
– UPAs
– Construção de 7 novas UPAs
Destaque: UPA da Estrutural
– UBSs
– Construção de 5 UBSs
– Planejamento e licitação de 17 UBSs adicionais
ANO 4 – EQUIPAMENTOS, SAÚDE MENTAL E RESPOSTA A CRISES
Foco: tecnologia, qualidade e resposta rápida
– Equipamentos entregues
– 75 máquinas de hemodiálise
– 36 equipamentos de oftalmologia
– Equipamentos de otorrinolaringologia
– Modernização de centros cirúrgicos e diagnósticos
– Saúde mental
– Implantação de 2 CAPS
– Ampliação do atendimento psicossocial
– Epidemias (Dengue)
– 200 médicos temporários
– 541 servidores nomeados, incluindo:
– 156 enfermeiros
– 180 técnicos de enfermagem
– 115 agentes comunitários
– 90 médicos especialistas
CONSOLIDADO GERAL – TUDO O QUE FOI FEITO
• PROFISSIONAIS
+726 médicos efetivos
+200 médicos temporários
+156 enfermeiros
+180 técnicos de enfermagem
+115 agentes comunitários
+20 enfermeiros adicionais
+21 técnicos adicionais
HOSPITAIS
3 grandes hospitais novos (obra / ordem / execução)
1 hospital em planejamento (Gama)
UPAs
7 novas UPAs de grande porte
UBSs
5 UBSs entregues
17 UBSs licitadas/planejadas
SAÚDE MENTAL
2 CAPS implantados
EQUIPAMENTOS
Hemodiálise
Oftalmologia
Otorrino
Diagnóstico e cirurgia
INVESTIMENTOS
Mais de R$ 524 milhões em obras, reformas e equipamentos
REFORMAS
– Hospital Regional de Taguatinga
– Cardiologia
– Cozinha
– Estrutura geral
Outras unidades regionais modernizadas
CONCLUSÃO TÉCNICA
Diante de todas as informações, é sabido afirmar que. A gestão Ibaneis Rocha e Celina Leão executou a maior recomposição humana, estrutural e tecnológica da saúde pública do DF, com foco em hospitalização, urgência, atenção básica, saúde mental e alta complexidade, revertendo anos de sucateamento.
Fonte: Jornalística Eduardo Magregor.









