Acordo EUA–China pode virar o jogo da soja e redesenhar o destino econômico do Brasil

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Por: Demis Viana — “Mundo Secreto”
Especial Geopolítica Internacional.

Em um cenário geopolítico global cada vez mais competitivo, uma possível reaproximação comercial entre Estados Unidos e China acende o alerta em Brasília e traz à mesa uma questão estratégica: o que aconteceria se Washington passasse a ser o principal fornecedor de soja para Pequim?

Segundo analistas internacionais, um acordo desse porte alteraria profundamente o tabuleiro do comércio agrícola mundial. China e Estados Unidos já mantiveram parcerias bilionárias no setor, interrompidas por tensões geopolíticas e disputas tarifárias na década passada. Um rearranjo desse tipo, agora, teria impacto direto na economia brasileira  especialmente no agronegócio, pilar essencial do PIB nacional e da balança comercial.

Hoje, o Brasil é o maior exportador de soja do planeta e tem na China seu principal comprador. Caso a potência asiática redirecione suas importações para os EUA, o Brasil perderia seu maior mercado consumidor. Na prática, o país passaria a depender mais fortemente dos Estados Unidos, não por afinidade estratégica, mas por necessidade econômica.

“Nesse cenário, o mercado chinês deixaria de ser uma alternativa viável para o Brasil, que inevitavelmente necessitaria do mercado americano para manter sua força agrícola e sua estabilidade econômica.”
— Demis Viana, Mundo Secreto

Especialistas alertam que essa dependência poderia colocar o Brasil em posição vulnerável no jogo geopolítico. Washington, ciente dessa vantagem, teria maior capacidade de imposição em negociações comerciais, ambientais e diplomáticas, exigindo contrapartidas políticas e econômicas mais duras.

Além disso, o movimento sinalizaria uma redefinição do eixo global do agronegócio. O Brasil, que nos últimos anos se consolidou como potência agroexportadora com autonomia e peso estratégico, veria sua margem de escolha reduzida diante da reorganização do fluxo global de commodities.

Impactos estratégicos

  • Perda do principal mercado comprador de soja (China)
  • Aumento da dependência comercial dos EUA
  • Pressão política e tarifária externa
  • Risco de queda no preço interno e impacto na renda agrícola
  • Readequação diplomática forçada

Brasil no centro do tabuleiro

O possível acordo EUA–China evidencia um desafio urgente para o Brasil: diversificar mercados, fortalecer acordos multilaterais e investir em cadeias agrícolas com maior valor agregado. Depender excessivamente de um único parceiro seja ele China ou Estados Unidos significa abrir mão de autonomia estratégica em um mundo marcado por tensões comerciais e novas alianças globais.

O jogo não está decidido, mas a mensagem é clara: no tabuleiro da geopolítica internacional, o Brasil precisa mover suas peças com inteligência e antecipação. A diplomacia agrícola será tão importante quanto tratores, sementes e exportações. A soberania econômica depende disso.

Fonte: Demis Viana ” Mundo Secreto”.