Brasília volta a ser palco de um velho roteiro que muitos acreditavam encerrado.
O ex-governador José Roberto Arruda reaparece no cenário político como pré-candidato ao Governo do Distrito Federal em 2026, trazendo consigo não apenas discursos inflamados, mas uma bagagem que pesa toneladas, escândalos, prisão inédita e uma das páginas mais constrangedoras da história política brasiliense.
Arruda nunca foi um político de bastidores. Sempre atuou com holofotes, frases de efeito e confrontos diretos. Em recente discurso, lançou a expressão popular “calça de veludo ou bunda de fora”, tentando se vender como símbolo de coragem.
O problema é que, para muitos eleitores, a frase acabou soando como provocação não apenas aos adversários, mas à própria Justiça.
Um passado que insiste em não ser esquecido
O nome de Arruda está diretamente ligado ao escândalo conhecido como Caixa de Pandora, o “mensalão do DEM”, que explodiu em 2009. Naquele ano, ele entrou para a história como o primeiro governador em exercício a ser preso no Brasil, em meio a denúncias de corrupção que chocaram o país e colocaram Brasília no centro de uma crise institucional.
Antes disso, sua trajetória já era marcada por outro episódio traumático, a fraude no painel eletrônico do Senado Federal. Na ocasião, Arruda jurou inocência em público, “pela vida dos filhos”, e depois voltou atrás, admitindo que mentiu para escapar da cassação.
Um gesto que virou símbolo de descrédito político. Política é memória. E Brasília, quando quer, lembra. Obstáculo maior que a rejeição é a Justiça.
Hoje, o problema de Arruda não é apenas eleitoral. É jurídico. Decisões baseadas na legislação de inelegibilidade criada justamente para afastar políticos envolvidos em escândalos têm barrado suas tentativas de voltar às urnas.
Mesmo assim, ele insiste em se apresentar como alternativa, apostando no desgaste dos atuais grupos políticos.
Nos bastidores, aliados falam em “experiência administrativa”.
Críticos veem algo bem diferente: a tentativa de ressuscitar um modelo de poder que o eleitor diz rejeitar, mas que insiste em reaparecer em tempos de crise.
Entre a narrativa da redenção e o peso da história
Arruda tenta reescrever sua biografia política. Mas a biografia insiste em se impor. Não se trata apenas de discurso. Trata-se de fatos, processos e imagens que ficaram gravadas na memória coletiva do DF.
Enquanto ele posa de vítima e se coloca como combatente do sistema, os números de rejeição e as decisões judiciais mostram outra realidade, a de um político que ainda deve explicações profundas à sociedade brasiliense.
O símbolo de uma política que resiste a morrer
A metáfora da “calça de veludo” pode até funcionar no palanque, mas na prática expõe o que muitos enxergam:
– Um projeto de poder sustentado mais na retórica do que na credibilidade.
– Um retorno que desafia a lógica do eleitor cansado de escândalos.
– Uma candidatura que esbarra, antes de tudo, na Justiça.
No fim das contas, a política faz o que sempre fez: expõe por inteiro.
E, para Arruda, o passado não ficou para trás está sentado na primeira fila, pronto para cobrar a conta.
A pergunta que ecoa em Brasília é direta: O eleitor está disposto a esquecer… ou a história vai impedir mais um capítulo desse roteiro?
Fonte: Blog Olhar Digital









