Este artigo analisa a atuação política da oposição ao Governo do Distrito Federal, especialmente durante períodos de alta exposição pública, como o Carnaval, e a forma como lideranças associadas ao campo político do ex-governador Rodrigo Rollemberg buscam reconstruir protagonismo por meio da deslegitimação do atual governo.
O estudo considera elementos históricos, administrativos e comunicacionais, incluindo episódios sensíveis como a gestão do IPREV em governos anteriores, para demonstrar que a disputa atual se estabelece mais no plano simbólico e narrativo do que na comprovação objetiva de responsabilidades administrativas.
O ambiente político do Distrito Federal apresenta elevado grau de polarização. A figura do governador Ibaneis Rocha passou a ser alvo de ataques recorrentes, em especial por setores da oposição ligados ao grupo político que orbitou o governo Rodrigo Rollemberg (2015–2018).
Observa-se que parte significativa dessas críticas não se estrutura sobre decisões administrativas diretas do atual gestor, mas sobre tentativas de imputação indireta de responsabilidade por eventos complexos e sistêmicos.
Esse fenômeno se intensifica em períodos de grande visibilidade social, como o Carnaval, quando a política passa a ser comunicada por meio de símbolos, imagens e encenações públicas, substituindo o debate técnico por performances políticas.
O Governo Rodrigo Rollemberg e o Legado Político
O governo Rollemberg é amplamente lembrado por sua crise fiscal, atrasos salariais e redução de investimentos públicos. Esse período resultou em elevado desgaste institucional, criando uma rejeição popular ao modelo político então vigente.
Apesar disso, parte de seus aliados e herdeiros políticos como Ricardo Cappelli, Leandro Grass, Leila do Vôlei e José Roberto Arruda reaparecem no cenário público como críticos do atual governo, tentando dissociar-se do passado administrativo que marcou negativamente a gestão do Distrito Federal.
O IPREV e a Memória Institucional
A história recente do DF também registra episódios sensíveis envolvendo o Instituto de Previdência dos Servidores (IPREV), que em governos anteriores foi alvo de investigações e questionamentos sobre gestão e possíveis irregularidades.
A lembrança desses fatos reforça a contradição presente no discurso oposicionista atual:
grupos políticos que enfrentaram crises previdenciárias e questionamentos sobre gestão pública passam a se apresentar como fiscais morais da administração atual.
Do ponto de vista científico-político, isso caracteriza um fenômeno de reconstrução simbólica de credibilidade, no qual atores políticos buscam reescrever sua própria trajetória administrativa.
A Estratégia da Desmoralização Política
Observa-se que a oposição atua segundo três eixos principais: Personalização da culpa eventos sistêmicos são atribuídos diretamente ao governador; Amplificação narrativa denúncias políticas ganham dimensão de escândalo sem prova administrativa direta; Estetização da crítica o debate técnico é substituído por encenações públicas, slogans e imagens simbólicas.
O Carnaval surge, nesse contexto, como metáfora política: enquanto a população celebra, determinados grupos utilizam o ambiente festivo para promover ataques políticos travestidos de crítica moral.
Responsabilidade Jurídica versus Responsabilização Política. Do ponto de vista jurídico, acusações exigem:
– Ato administrativo identificado;
– Nexo causal;
– Dolo ou culpa comprovados.
Do ponto de vista político, basta:
Repetição discursiva;
Desgaste de imagem;
Pressão midiática.
Assim, cria-se um conflito entre direito e narrativa, onde a opinião pública passa a ser disputada como território político.
Carnaval como Instrumento Político
A associação simbólica do grupo oposicionista ao Carnaval não ocorre apenas no campo cultural, mas no comunicacional: trata-se da transformação da crítica política em espetáculo, no qual antigos gestores tentam ocultar seu próprio histórico administrativo por meio da teatralização do presente.
Nesse cenário, constrói-se a seguinte pergunta analítica:
“Quem realmente dança com a corrupção?”
A interrogação não é jurídica, mas política: questiona-se se aqueles que acusam hoje não são os mesmos que governaram durante períodos marcados por crises fiscais, previdenciárias e institucionais.
A tentativa de desmoralizar o Governo Ibaneis Rocha revela menos um compromisso técnico com a boa governança e mais uma estratégia de retomada de espaço político por grupos que perderam protagonismo após gestões mal avaliadas.
A oposição opera por meio da construção simbólica de culpa, enquanto busca apagar seu próprio passado administrativo. O uso do Carnaval como cenário político reforça o caráter performático da crítica, substituindo dados por encenação.
No plano científico-político, trata-se de uma disputa entre:
• Gestão e narrativa,
• Ato administrativo e espetáculo político,
• Memória institucional e reescrita da história.
Aspa técnica (especialista político):
“Quando atores políticos historicamente associados a gestões marcadas por crises fiscais, previdenciárias e administrativas passam a se apresentar como referências morais, o debate público deixa de ser técnico e passa a ser simbólico.
Nesse contexto, a acusação torna-se instrumento de sobrevivência política, não de justiça institucional.”
Fonte: Blog Olhar Digital









