A guerra na Faixa de Gaza pode estar diante de uma das maiores viradas diplomáticas dos últimos anos. Após meses de combates, milhares de mortos e uma crise humanitária sem precedentes, o grupo Hamas anunciou nesta sexta-feira (3/10) que aceita libertar todos os reféns israelenses mantidos no enclave palestino. O comunicado veio na esteira de um ultimato lançado pelo presidente norte-americano Donald Trump, que apresentou um plano de paz em 29 de setembro.
Segundo a nota divulgada pelo Hamas, a decisão inclui a devolução de reféns vivos e também dos corpos de vítimas do conflito, em um modelo de troca com prisioneiros palestinos. Mais do que isso: o grupo sinalizou que está disposto a deixar o controle político da Faixa de Gaza, desde que alguns pontos do acordo sejam ajustados em mesas de negociação mediadas por países como Egito, Catar e Turquia.
“O movimento confirma sua concordância em libertar todos os prisioneiros da ocupação e está pronto para iniciar imediatamente, por meio de mediadores, as negociações para discutir os detalhes”, afirma o documento.
O plano de Trump
Chamado nos bastidores de “Acordo da Última Chance”, o projeto elaborado pela Casa Branca prevê:
- Retirada escalonada das tropas israelenses de Gaza;
- Troca de reféns por prisioneiros palestinos em etapas supervisionadas pela ONU;
- Criação de um governo provisório em Gaza, sem presença do Hamas, até eleições monitoradas;
- Compromisso de Israel e Palestina em negociar fronteiras definitivas e tratados de segurança.
Trump, em pronunciamento, declarou que “não há mais espaço para guerras sem fim” e que o Oriente Médio “precisa de estabilidade para reconstruir vidas e economias”.
Alívio e cautela
A notícia repercutiu rapidamente em Tel Aviv e em Ramallah. Para as famílias israelenses, há alívio e esperança de reencontrar parentes após meses de silêncio e incertezas. Já entre palestinos, a possível retirada militar de Israel é vista como um respiro diante do colapso humanitário que atinge hospitais, escolas e infraestrutura básica.
Por outro lado, analistas alertam que a aceitação do Hamas não garante a paz imediata. Israel exige desarmamento total do grupo e não descarta novas operações se houver riscos de ataques.
O que está em jogo
Se confirmado, o acordo pode ser o primeiro passo concreto para uma trégua duradoura entre Israel e Palestina em mais de uma década. No entanto, sua execução depende da confiança entre inimigos históricos e do peso da comunidade internacional para fiscalizar cada etapa.
Até lá, o mundo observa com atenção: o anúncio será lembrado como o início de um novo ciclo de paz ou apenas como mais uma promessa quebrada no turbulento Oriente Médio?
Fonte: Blog Olhar Digital









