sexta-feira, outubro 16, 2026
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CASO BRB/MASTER: VORCARO NEGA FRAUDE DE R$ 12 BILHÕES, CHAMA ACUSAÇÕES DE “FANTASIOSAS” E PEDE PERÍCIA PARA ESCLARECER OPERAÇÕES

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Em depoimento de aproximadamente quatro horas à Polícia Federal, ex-controlador do Banco Master contesta suspeitas de prejuízo ao Banco de Brasília, afirma que operações produziram resultados positivos e anuncia medidas judiciais. Investigadores, porém, apontam indícios de irregularidades nas negociações entre as instituições.

O caso envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (15), após o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, prestar aproximadamente quatro horas de depoimento à Polícia Federal e negar a existência de uma suposta fraude de R$ 12 bilhões envolvendo operações financeiras entre as duas instituições.

Em sua terceira oitiva no âmbito das investigações, Vorcaro contestou as acusações, questionou a condução inicial da Operação Compliance Zero e sustentou que a narrativa de fraude bilionária não corresponde à realidade das operações realizadas.

As informações foram divulgadas pela jornalista Manoela Alcântara, do portal Metrópoles, que apresentou detalhes do depoimento e dos argumentos encaminhados pela defesa do empresário.

O episódio reacende o debate sobre as responsabilidades na condução das negociações, os possíveis impactos financeiros para o banco público do Distrito Federal e a necessidade de esclarecimento técnico das operações investigadas.

VORCARO CONTESTA ACUSAÇÕES E NEGA PREJUÍZO AO BRB

Durante o depoimento, Daniel Vorcaro afirmou que a operação policial teria sido conduzida de maneira precipitada, provocando consequências para a imagem das instituições envolvidas.

Segundo a versão apresentada por sua defesa, não houve fraude de R$ 12 bilhões contra o BRB, tampouco prejuízo decorrente das operações questionadas.

Um dos principais argumentos está relacionado às carteiras de crédito da Tirreno, cuja negociação, de acordo com o empresário, não teria sido concluída nos termos inicialmente investigados.

Vorcaro também sustenta que a substituição de ativos realizada entre as instituições teria produzido resultados positivos para o Banco de Brasília.

Essas afirmações, entretanto, representam a versão da defesa e ainda precisam ser confrontadas com os documentos, as perícias e os demais elementos reunidos pelos investigadores.

DEFESA ANUNCIA PERÍCIA E CONTESTAÇÃO JUDICIAL

A defesa do ex-banqueiro informou que pretende apresentar nesta sexta-feira (16) uma contestação na esfera cível e solicitar a realização de perícia para examinar as operações financeiras.

O objetivo declarado é demonstrar que não houve o prejuízo bilionário apontado nas suspeitas investigadas.

A iniciativa poderá ampliar o debate técnico sobre a origem, a transferência, a substituição e a avaliação dos ativos envolvidos nas negociações.

A eventual realização de perícia independente, observadas as regras processuais, poderá contribuir para esclarecer se as operações produziram perdas, quais riscos foram assumidos e se houve irregularidades.

O pedido de perícia, por si só, não comprova a inexistência de fraude, assim como a abertura de investigação não representa condenação dos envolvidos.

POLÍCIA FEDERAL APONTA INDÍCIOS DE OPERAÇÕES FINANCEIRAS SUSPEITAS

Apesar das negativas apresentadas por Vorcaro, a Polícia Federal mantém uma linha investigativa que aponta possíveis irregularidades na relação entre o BRB e o Banco Master.

A Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, passou a investigar a aquisição de aproximadamente R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master, sob suspeita de irregularidades na origem e na composição desses ativos.

Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, um relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal apresenta mensagens trocadas em outubro de 2024 entre Daniel Vorcaro e o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

As conversas teriam abordado preocupações com a repercussão no mercado de um aumento de capital do banco público e a necessidade de transmitir sinais de confiança aos investidores.

Os investigadores também identificaram movimentações relacionadas a um aumento de capital de R$ 750 milhões e à estruturação de operações que poderiam viabilizar a integração entre as instituições.

Na avaliação apresentada pela PF, o conjunto dos elementos indica que a aproximação entre BRB e Master já fazia parte de um planejamento estratégico anterior à formalização de determinadas etapas da negociação.

A investigação também examina a concentração de aquisições de carteiras de crédito e outros ativos originados do grupo Master.

Para os investigadores, essa dinâmica pode ter criado uma relação de dependência financeira e aumentado a exposição do banco público a operações de maior risco.

São conclusões investigativas que ainda devem ser submetidas ao devido processo legal e ao contraditório.

EX-PRESIDENTE DO BRB TAMBÉM É INVESTIGADO

Outro personagem central do caso é Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília.

Conforme a reportagem publicada pelo Metrópoles, ele está preso desde abril de 2026, no contexto das investigações que apuram suspeitas de recebimento de vantagens indevidas relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro.

O ex-diretor executivo financeiro e de controladoria do BRB, Dario Oswaldo Garcia Júnior, também foi alvo de medidas investigativas e havia sido afastado do cargo em novembro de 2025.

A existência dessas medidas não equivale à comprovação definitiva de responsabilidade criminal.

As circunstâncias envolvendo as decisões administrativas, as movimentações financeiras e os possíveis beneficiários das operações continuam sendo pontos relevantes para a apuração.

O QUE ESTÁ EM JOGO PARA O BANCO DE BRASÍLIA?

O BRB possui importância estratégica para a economia do Distrito Federal, tanto pela prestação de serviços bancários quanto por sua participação em operações de crédito e políticas financeiras de interesse regional.

Por essa razão, a controvérsia envolvendo o Banco Master ultrapassa os interesses particulares dos investigados.

A principal questão é determinar, com base em documentos e análises técnicas, se houve exposição indevida do patrimônio do banco público, prejuízos efetivos ou descumprimento das normas que regulam o sistema financeiro.

Também será necessário esclarecer a responsabilidade de cada agente envolvido nas decisões questionadas.

Se a tese apresentada por Vorcaro for confirmada, poderá haver uma reavaliação importante das suspeitas relacionadas às operações específicas contestadas pela defesa.

Por outro lado, se os elementos reunidos pela Polícia Federal forem comprovados, o caso poderá resultar em responsabilizações nas esferas cabíveis.

ENTRE ACUSAÇÕES E NEGATIVAS, A VERDADE PRECISA SER DOCUMENTADA

A divergência entre a versão da defesa e as conclusões preliminares dos investigadores evidencia a complexidade do caso BRB/Master.

De um lado, Daniel Vorcaro sustenta que as operações não provocaram prejuízo bilionário e que a investigação inicial comprometeu a reputação das instituições.

De outro, a Polícia Federal aponta elementos que justificam a continuidade das apurações sobre possíveis irregularidades financeiras e administrativas.

O esclarecimento definitivo exige mais do que declarações públicas. Depende da análise de contratos, movimentações bancárias, avaliação dos ativos, documentos contábeis e eventuais provas de condutas ilícitas.

Também é fundamental distinguir suspeitas investigativas de fatos efetivamente comprovados.

CASO BRB/MASTER ENTRA EM NOVA FASE DE QUESTIONAMENTOS

O depoimento de Daniel Vorcaro representa mais um desenvolvimento relevante em uma investigação que mobiliza autoridades policiais, órgãos de fiscalização e o sistema de Justiça.

A promessa de apresentação de uma contestação judicial acompanhada de pedido de perícia acrescenta uma nova frente à discussão sobre a existência e a dimensão dos possíveis prejuízos.

Para a população do Distrito Federal, o interesse público está diretamente relacionado à preservação da solidez financeira do BRB, à transparência das operações e à responsabilização de eventuais envolvidos em irregularidades.

A questão central permanece: houve efetivamente uma fraude bilionária, como investigam as autoridades, ou as operações financeiras tiveram uma interpretação equivocada, conforme sustenta a defesa de Vorcaro?

A resposta dependerá das provas e das decisões das autoridades competentes.

Até lá, tanto as suspeitas apresentadas pelos investigadores quanto as negativas dos envolvidos devem ser examinadas com rigor, responsabilidade e respeito ao devido processo legal.

Fonte: Metrópoles — Coluna Manoela Alcântara, reportagem publicada em 15 de outubro de 2026, com informações sobre o depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal e elementos das investigações da Operação Compliance Zero.

Eduardo Magregor
Jornalista | Especialista em Análise Política