Governadora reage à negativa de aval da União, questiona a atuação dos adversários e coloca a defesa do Banco de Brasília no centro do debate político. Com a privatização descartada, Celina busca alternativas financeiras e promete trabalhar pela recuperação da instituição.
Por Eduardo Magregor | Jornalismo Político
Brasília, 10 de outubro de 2026
A crise do Banco de Brasília (BRB) ganhou novos contornos políticos neste sábado (10), depois que a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), elevou o tom contra o Partido dos Trabalhadores e acusou o governo federal de permitir que divergências ideológicas interferissem na busca de soluções para uma das instituições financeiras mais importantes da capital.
Em entrevista à Rádio Atividade, Celina afirmou que a negativa da União em conceder aval à operação de crédito pretendida pelo Governo do Distrito Federal ultrapassa uma discussão meramente financeira e levanta questionamentos sobre a disposição do governo Lula em colaborar com Brasília.
A declaração da governadora coloca uma questão no centro do debate: até que ponto a rivalidade política pode interferir em decisões que afetam uma instituição financeira pública e os interesses da população do Distrito Federal?
CELINA SOBE O TOM: “O PT POLITIZOU A CRISE DO BRB”
Sem esconder a indignação, Celina afirmou que o governo federal poderia ter contribuído para a solução da crise, mas optou por negar a garantia solicitada pelo GDF.
A governadora comparou a situação do BRB com os esforços financeiros destinados à manutenção dos Correios, questionando o tratamento dispensado às instituições.
“O PT politizou a crise do BRB. Ele deveria ter atendido, dado o aval, que era uma coisa tão simples.”
Celina também afirmou que sua administração buscou diretamente o governo federal, sem intermediários ou lobistas, para tentar viabilizar a operação.
Segundo a governadora, a negativa teria ocorrido por “questões ideológicas e políticas”.
A acusação é grave e merece esclarecimentos públicos. Embora a governadora atribua motivação política à decisão, a análise de uma garantia federal também envolve critérios fiscais, financeiros e jurídicos. A justificativa técnica da União é, portanto, fundamental para esclarecer a controvérsia.
O BRB NÃO PODE SER REFÉM DE UMA GUERRA ELEITORAL
O Banco de Brasília representa muito mais do que uma instituição financeira. Sua atuação está ligada à economia regional, à oferta de crédito, aos serviços bancários e ao relacionamento financeiro com milhares de cidadãos e empresas.
Por isso, a crise exige responsabilidade institucional, independentemente das preferências partidárias de cada governante.
A preservação do BRB deve estar acima das disputas entre o Palácio do Buriti e o Palácio do Planalto.
O enfrentamento político entre Celina e o PT ocorre justamente quando o GDF tenta viabilizar uma operação destinada a reforçar a situação financeira do banco.
A controvérsia já chegou ao Supremo Tribunal Federal, onde o caso está sob relatoria do ministro Luiz Fux.
Nesse cenário, a governadora procura demonstrar que não pretende aceitar passivamente os obstáculos encontrados na negociação com a União.
Sua postura pública é de cobrança, articulação e busca de alternativas.
CELINA QUESTIONA LEANDRO GRASS: POR QUE NÃO AJUDOU ATÉ AGORA?
A governadora também direcionou críticas ao adversário na disputa pelo Governo do Distrito Federal, Leandro Grass, aliado político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para Celina, a proximidade entre Grass e o governo federal deveria representar uma oportunidade de articulação em favor do BRB.
“É engraçado você ouvir o meu adversário falando que vai ajudar. Por que não ajudou até agora? O candidato dele é presidente da República. Já podia ter sido resolvido, né?”, questionou.
A declaração estabelece um confronto político direto.
Celina procura colocar em evidência a diferença entre anunciar disposição para resolver a crise e efetivamente conseguir uma solução institucional.
O questionamento também amplia a pressão sobre Grass para que apresente propostas concretas e explique de que maneira pretende contribuir para a recuperação do banco.
PRIVATIZAÇÃO DESCARTADA: GOVERNADORA DEFENDE A PERMANÊNCIA DO BRB
Outro ponto importante da posição assumida por Celina Leão é a rejeição à privatização do Banco de Brasília.
Na última terça-feira (6), a governadora afirmou categoricamente que a desestatização está fora de seus planos.
“Está descartada completamente”, declarou.
A afirmação representa um compromisso político relevante em meio às preocupações sobre o futuro da instituição.
Celina também revelou que o governo trabalha com alternativas de financiamento, inclusive no mercado internacional, para reduzir a dependência de uma única negociação.
Em setembro, a governadora manteve contato com investidores dos Emirados Árabes Unidos interessados em discutir possibilidades de aporte de recursos.
Essas iniciativas ainda precisam resultar em operações efetivamente viáveis, com condições transparentes e aprovação dos órgãos competentes. Entretanto, demonstram que o GDF busca diferentes caminhos para enfrentar o problema.
A estratégia anunciada por Celina combina preservação do controle público, procura por capital e defesa da continuidade das atividades do BRB.
GOVERNADORA ASSUME RESPONSABILIDADE E PROMETE TRANSPARÊNCIA
Ao ser questionada sobre o que a população poderia esperar de sua administração diante da crise, Celina destacou três compromissos: sinceridade, trabalho e transparência.
A governadora afirmou que sua atuação foi importante para evitar consequências mais graves para o banco.
“Se não fosse o meu empenho, a nossa garra, esse banco teria, talvez, tido um outro destino”, declarou.
A fala reforça a narrativa de uma gestora que pretende assumir protagonismo na condução da crise.
A efetividade das medidas, porém, dependerá de resultados concretos, da evolução dos indicadores financeiros e da capacidade de assegurar a estabilidade da instituição.
Para a população, mais importante do que a disputa de versões será conhecer as soluções, os custos envolvidos e as garantias de proteção ao patrimônio público.
ENQUANTO ENFRENTA A CRISE, CELINA AMPLIA ARTICULAÇÕES POLÍTICAS
A agenda da governadora neste sábado também foi marcada por encontros com importantes lideranças políticas do Distrito Federal.
Celina se reuniu com integrantes da equipe do senador Izalci Lucas e com o deputado federal Rafael Prudente, fortalecendo a mobilização de seus aliados para o segundo turno.
A governadora destacou a importância de construir uma base política capaz de garantir recursos e governabilidade.
“O Izalci vai nos ajudar a trazer recursos pro DF. Vai nos ajudar a governar”, afirmou.
A movimentação mostra que Celina trabalha simultaneamente em duas frentes: a busca de soluções administrativas para os desafios do governo e a ampliação das alianças políticas.
A governadora também participou de agendas com apoiadores de Júlio César e Martins Machado e programou compromissos em diferentes regiões administrativas.
QUATRO MESES DE GOVERNO E UMA DISPUTA SOBRE O FUTURO DE BRASÍLIA
Celina tem destacado as ações executadas durante seus quatro meses à frente do Governo do Distrito Federal como argumento central de sua candidatura à reeleição.
Durante os encontros políticos, afirmou que sua campanha apresenta realizações administrativas e não apenas promessas.
Também voltou a criticar a experiência anterior do PT no comando do Distrito Federal, associando aquele período a dificuldades no pagamento de servidores e na manutenção dos serviços públicos.
As críticas integram a disputa eleitoral e devem ser avaliadas à luz dos resultados e dos registros de cada administração.
No caso do BRB, o desafio é especialmente relevante: transformar o discurso de defesa da instituição em uma solução financeira consistente, juridicamente segura e capaz de recuperar a confiança.
A GRANDE QUESTÃO: QUEM ESTÁ DISPOSTO A COLOCAR BRASÍLIA ACIMA DA POLÍTICA?
O episódio revela um dos principais conflitos deste segundo turno no Distrito Federal.
De um lado, Celina Leão sustenta que sua administração tem procurado alternativas para preservar o BRB e acusa o PT de dificultar a recuperação da instituição por razões políticas.
Do outro, permanece a necessidade de conhecer integralmente os fundamentos da negativa federal, inclusive os eventuais riscos financeiros e legais envolvidos na concessão da garantia.
O debate não pode terminar em acusações eleitorais.
O BRB exige uma resposta que combine responsabilidade fiscal, transparência, fiscalização e compromisso com o interesse público.
Celina Leão decidiu assumir publicamente a defesa do banco, enfrentar seus adversários e cobrar uma solução do governo federal. Agora, sua capacidade de articulação e de execução administrativa será determinante para transformar essa posição em resultados.
A população de Brasília tem o direito de exigir respostas de todos os envolvidos.
Porque o BRB pertence à história econômica do Distrito Federal e seu futuro não deve ser decidido pelas conveniências de uma disputa partidária.
Fonte das declarações e agendas: reportagem de Luisa Rany, publicada pelo Metrópoles em 10 de outubro de 2026, com informações da entrevista concedida por Celina Leão à Rádio Atividade.
Análise e redação: Eduardo Magregor | Jornalismo Político.










