Especial | O impacto da pandemia na saúde mental da população

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No dia  11 de março de 2020, houve um divisor de águas no mundo inteiro: a situação da COVID-19 foi anunciada como pandemia. Desde então, temos acompanhado as consequências dessa doença que se alastrou pelo planeta, dentre elas, uma que tem preocupado os especialistas envolve a saúde mental da população.

Neste sábado (10), Dia Mundial da Saúde Mental, trazemos uma ampla análise diante de todo o impacto psicológico causado pelo coronavírus, dividido em duas partes com quatro capítulos cada. Enquanto essa primeira parte está focada nas causas, a segunda parte levanta as consequências e os efeitos a longo prazo.

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O que acontece é que muitas atividades tiveram de ser cessadas, especialmente as que envolvem relacionamento humano. É fundamental manter a saúde mental em ordem, até para que tenhamos consciência e sensibilidade para lidar com a situação de maneira serena. No entanto, para colocar isso em prática, primeiramente devemos entender o nível da interferência da pandemia na saúde mental da população.

ISOLAMENTO SOCIAL

O isolamento social tem ajudado a agravar quadros de ansiedade e depresssão, segundo especialistas.

Tudo começa com o isolamento social, uma das maiores proteções contra o coronavírus. Basicamente, o isolamento serve para separar pessoas sintomáticas ou assintomáticas, em investigação clínica e laboratorial, de maneira a evitar a propagação da infecção e transmissão. Segundo a norma do Ministério da Saúde, o isolamento é feito por um prazo de 14 dias tempo em que o vírus leva para se manifestar no corpo podendo ser estendido, dependendo do resultado dos exames laboratoriais.

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Na prática, isso significa abrir mão de sair de casa, encontrar pessoas na rua, ver a vida funcionando ao seu redor. Ficar dias, semanas, e até mesmo meses isolado em casa pode ser uma medida para proteger o nosso corpo, mas não impede estragos na nossa mente. “Durante essa quarentena, a gente se deparou com um grande problema social. Os seres humanos têm uma tendência muito forte a socializar, uma valorização realmente muito grande, tem um impacto forte na saúde mental, nos contatos sociais onde a gente recupera as nossas energias”, observa Dr. Yuri Busin,  psicólogo, mestre e doutor em neurociência do comportamento, diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental – Equilíbrio (CASME).

SAÚDE × SOLIDÃO. 

Ainda que a tecnologia forneça meios para se conectar com as pessoas sem sair de casa, mantendo a segurança, a falta de contato físico proporciona saudade e agrava a sensação de solidão. Um estudo realizado pela empresa norte-americana Cigna mostra que estar sozinho por um longo período pode trazer complicações para o bem-estar físico e mental.

Como resultado da COVID-19, manter distância de outras pessoas é a maneira mais segura de se manter saudável, embora possa aumentar a sensação de isolamento. Segundo a análise, trata-se de um novo motivo para considerar como a solidão pode afetar tudo, desde o cérebro, o coração e o sistema imunológico.

Segundo o estudo em questão, em termos evolutivos, fazer parte de um grupo significou proteção, compartilhamento da carga de trabalho e maiores chances de sobrevivência. Afinal, os humanos demoram muito para amadurecer. Precisamos de nossas tribos. Sendo assim, o termo “solidão” vem do sentimento de não pertencer a um grupo, conforme explica Julianne Holt-Lunstad, professora de psicologia e neurociência da Universidade Brigham Young, em Utah, nos Estados Unidos. Dra. Holt-Lunstad atribui à pandemia a experiência mais estressante da vida de muitas pessoas, uma vez que milhões de indivíduos foram infectados no mundo inteiro, o desemprego explodiu e a vida cotidiana foi extremamente limitada.

ÀS MÁS NOTÍCIAS DA PANDEMIA

Mortes e infecções diárias preocupam população, propagando medo e ansiedade.

Como manter a saúde mental intacta em um contexto em que há milhares de mortes e infecções diárias? Os especialistas apontam que deparar-se o tempo todo com essa onda de más notícias também é uma das causas de problemas relacionados à saúde mental. “Há um medo muito intenso que a sociedade passa. Isso pode agravar bastante nos transtornos psicológicos”, aponta o Dr. Yuri.

Em 28 de setembro, a marca de um milhão de mortes foi alcançada pela infecção. Segundo a plataforma internacional Worldometer, até a última quinta-feira (8), são 1.062.948 mortes, no total, no mundo, com direito a 46,5 milhões de casos. Com isso, governos do mundo inteiro investem esforços contra a transmissão do coronavírus, e uma boa parte da humanidade chegou a enfrentar lockdown ou ou alguma restrição de deslocamento para a contenção do contágio.

Com potenciais vacinas contra a COVID-19 ainda em desenvolvimento e sem nenhum tratamento específico, os pesquisadores  trabalham para decifrar os enigmas por trás dessa doença que tem causado tanto estrago em 2020, fornecendo uma luz de esperança. Ainda assim, as notícias preocupantes reinam, propagando consequências psicológicas.

Fonte: CanalTech.