Partidos da base de Ibaneis saem vitoriosos no 2º turno de olho em 2022

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Agremiações consideradas do Centrão, incluindo o MDB do governador do DF, venceram na maior parte das cidades no domingo (29/11)

O resultado do segundo turno das eleições municipais, divulgado na noite do domingo (29/11), reforçaram o que o primeiro turno já antecipou: o Centrão se sagrou vencedor na maior parte das capitais e grandes centros urbanos do país. Nem a esquerda tampouco a extrema direita tiveram o reconhecimento dos eleitores, que optaram, na média nacional, por nomes que transitam entre as duas alas ideológicas.

Em Brasília, a maior parte desses partidos integra a base de apoio ao governador Ibaneis Rocha (MDB). Além do próprio MDB, sigla pela qual o chefe do Executivo foi eleito em 2018, há ainda agremiações como o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o Partido Social Democrático (PSD) e Progressistas (PP), as quais tiveram destaque após a apuração das urnas, de acordo com a Justiça Eleitoral.

“De 12 cidades que o MDB estava no segundo turno, o partido ganhou em 10. Isso só aumenta nossa responsabilidade. Viva a democracia”, comemorou o presidente nacional do partido, deputado federal Baleia Rossi (SP) pelo Twitter.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido de Ibaneis elegeu cinco prefeitos de capitais. O número supera o resultado dos tucanos, que, em 2016, foram consagrados vitoriosos em Sete capitais. Os partidos DEM e PSDB empatam no segundo lugar, com quatro prefeitos cada um. PDT, PSD e PP conquistaram duas capitais cada.

Embora não reflita de forma fiel um eventual cenário no Distrito Federal daqui a dois anos, o resultado das urnas sinaliza, apesar do alto número de abstenções, que o eleitorado brasileiro descartou nomes considerados fortes, mas que carregam o estigma de uma bandeira extremista.

Para se ter ideia, das 15 cidades em que disputava o 2º turno, o Partido dos Trabalhadores (PT) foi derrotado em 11. A legenda só conseguiu eleger os prefeitos de Juiz de Fora (MG), Contagem (MG), Diadema (SP) e Mauá (SP).

Dos partidos que integram a esquerda ideológica, houve também fracassos do Partido Socialismo e Liberdade (PSol) que, mesmo com as pesquisas indicando chances reais de vitória em São Paulo – com Guilherme Boulos – e em Porto Alegre – com Manuela d’Ávila –, a sigla acabou fracassando na tentativa de comandar duas das principais capitais do país.

Apenas em Belém, o deputado federal Edmilson Rodrigues (PSol) foi anunciado como vencedor por ter recebido 51,76% dos votos válidos. Somente o PDT, do ex-presidenciável Ciro Gomes, e o PSB se saíram bem com os resultados deste domingo.

Extrema direita

Por outro lado, os candidatos de extrema direita, apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), acabaram com resultado negativo, de acordo com informações da Justiça Eleitoral.

O panorama mais emblemático foi registrado na cidade do Rio de Janeiro, colégio eleitoral do titular do Palácio do Planalto, e qual decidiu nas urnas não conceder mais um mandato ao atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), que tentava a reeleição. O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), apoiado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), foi eleito com mais de 64% dos votos válidos.

Para ilustrar, no primeiro turno (15/11), Gustavo Nunes (PSL) venceu a disputa pela prefeitura de Ipatinga (MG). Além dele, Mão Santa (DEM), em Parnaíba (PI), também levou a maior parte dos votos. Para o segundo turno, nenhum saiu vitorioso. Além de Crivella, no Rio, Capitão Wagner (Pros) não se elegeu em Fortaleza.

Nas redondezas da capital federal, o candidato Maguito Vilela (MDB) venceu o postulante do DEM à prefeitura de Goiânia Vanderlan Cardoso (DEM), mesmo sem ter participado ativamente da campanha. O emedebista está internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, após complicações da Covid-19. Inconsciente, ele ainda não soube do resultado apontado pelo TSE.

Partido do vice-governador, Paco Britto, o Avante venceu nas duas cidades onde disputou o segundo turno das eleições. No caso de Manaus, a capital do Amazonas elegeu David Almeida com 51,27% dos votos. Em segundo lugar, ficou Amazonino Mendes, nome tradicional da região, filiado ao Podemos, e terminou a campanha com 48,73% dos votos.

Neto de um dos nomes mais tradicionais da política paulistana, a reeleição de Bruno Covas (PSDB) para a Prefeitura de São Paulo, com 59,45% dos votos válidos, deu um estímulo à possível candidatura do governador do estado, o tucano João Doria, para as eleições de 2020.

Sem esconder a intenção de disputar o Palácio do Planalto, o titular do Palácio dos Bandeirantes ganha novo fôlego para assumir o papel do antagonista do presidente Jair Bolsonaro. A escolha do possível vice deve orbitar dentro dessas legendas aliadas, as quais apresentaram bom desempenho no segundo turno das eleições municipais.

Fonte: Metrópoles.