Ex-deputado e ex-secretário amplia presença no debate eleitoral, recupera pautas de sua trajetória e aposta na força das comunidades para construir o retorno à Câmara Legislativa
O cenário eleitoral do Distrito Federal começa a ganhar novos contornos à medida que antigos protagonistas da política local voltam a ocupar espaço no debate público. Entre eles, Rodrigo Delmasso aparece novamente em posição de destaque, articulando uma candidatura que combina experiência parlamentar, passagem pelo Executivo, diálogo com comunidades e uma agenda voltada especialmente para juventude, famílias e políticas sociais.
Nas últimas semanas, Delmasso intensificou sua exposição pública e voltou a apresentar à população resultados e propostas que marcaram sua trajetória política. A movimentação ganhou força especialmente após sua participação, em 21 de agosto, no programa Vozes da Comunidade, onde discutiu políticas públicas, juventude, saúde, participação popular e sua intenção de retornar à Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Pesquisa coloca Delmasso no radar da disputa
Um dos elementos que reforçam a percepção de crescimento político é a pesquisa do Instituto Gazeta de Pesquisas (Igape), divulgada em 17 de agosto. O levantamento apontou Delmasso com 2,4% das intenções de voto para deputado distrital, mesmo diante de um cenário com diversos nomes competitivos na disputa pelas 24 cadeiras da CLDF.
A pesquisa ouviu 2 mil eleitores entre 10 e 15 de agosto e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número 02390/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Embora uma pesquisa isolada não determine o resultado de uma eleição, o desempenho indica que Delmasso já possui um nível mensurável de lembrança eleitoral e fornece um ponto de partida para uma candidatura que busca ampliar sua presença nas diferentes regiões administrativas.
Experiência como principal ativo político
A estratégia de Delmasso passa pela recuperação de uma trajetória construída dentro e fora da Câmara Legislativa.
À frente da Secretaria da Família e Juventude do Distrito Federal entre 2023 e março de 2026, ele deixou o cargo para cumprir o calendário de desincompatibilização eleitoral e passou a concentrar esforços na construção de sua candidatura.
No discurso atual, o ex-secretário procura transformar essa experiência administrativa em argumento eleitoral: apresenta programas, relembra resultados e defende a continuidade de políticas que considera importantes para a população.
Entre os exemplos citados está o Jovem Candango, programa voltado à inserção de jovens no mercado de trabalho, além do Projovem Digital, iniciativas que Delmasso apresentou como parte de uma política de geração de oportunidades para a juventude.
O retorno do “Gabinete nas Ruas”
Outro elemento importante da nova fase política é a promessa de retomar o chamado “Gabinete nas Ruas”.
A proposta representa mais do que uma ação administrativa. Politicamente, ela reforça uma estratégia de aproximação territorial: levar o mandato para as regiões administrativas, ouvir lideranças e transformar demandas locais em pautas legislativas.
Em entrevista recente, Delmasso defendeu justamente o protagonismo das comunidades, o fortalecimento dos conselhos tutelares e uma maior participação popular na construção das políticas públicas.
É uma estratégia que pode ser especialmente relevante em uma eleição distrital, na qual a relação direta com bairros, cidades e lideranças comunitárias costuma exercer papel importante na formação das bases eleitorais.
Uma candidatura ancorada em pautas sociais
O discurso de Delmasso também procura recuperar temas que ajudaram a construir sua identidade política.
Um dos exemplos mais conhecidos é sua atuação na tramitação da legislação relacionada ao fornecimento de canabidiol pela rede pública do Distrito Federal para pacientes com epilepsia. Durante a entrevista, ele relembrou o enfrentamento político em torno do projeto e a derrubada do veto ao texto pela CLDF.
Outro ponto apresentado é a chamada Lei Nossa Quadra, construída a partir de demandas de associações de moradores, prefeitos comunitários e lideranças locais. A proposta permite que organizações comunitárias tenham acesso a recursos públicos, inclusive por meio de emendas parlamentares, para intervenções e melhorias em espaços das comunidades.
Com isso, Delmasso tenta estabelecer uma narrativa política baseada em uma ideia simples: experiência adquirida no passado, resultados apresentados no presente e propostas para uma nova etapa.
Alinhamento com Celina Leão
Outro componente relevante da movimentação política é o posicionamento de Delmasso em relação à governadora Celina Leão.
Durante a participação no Vozes da Comunidade, ele declarou apoio à governadora na disputa pelo Palácio do Buriti e relembrou episódios da atuação conjunta dos dois na política do Distrito Federal.
O posicionamento ganha dimensão estratégica em um momento no qual a corrida pelo Governo do DF permanece bastante competitiva. Pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto mostrou Celina Leão com 30% e José Roberto Arruda com 28%, dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
Ao associar sua candidatura à defesa de uma agenda de continuidade e ao grupo político que atualmente ocupa o Executivo local, Delmasso deixa mais claro o campo político no qual pretende disputar espaço.
De volta ao jogo
O momento atual sugere que Rodrigo Delmasso não está simplesmente tentando retornar à política. Ele está reconstruindo uma candidatura a partir de ativos que já possui: nome conhecido, experiência parlamentar, passagem pelo Executivo, histórico de atuação em pautas sociais e capacidade de diálogo com segmentos comunitários.
A pesquisa eleitoral, a retomada da exposição pública e o discurso de aproximação com as comunidades formam um conjunto que pode ampliar sua competitividade ao longo da campanha.
O desafio, naturalmente, será transformar lembrança eleitoral em votos e converter sua presença no debate público em uma estrutura eleitoral capaz de alcançar diferentes regiões do Distrito Federal.
Mas uma coisa já parece clara: Rodrigo Delmasso voltou ao centro do tabuleiro político do DF.
E, desta vez, chega à disputa tentando apresentar não apenas uma candidatura, mas uma narrativa de retorno: a experiência de quem já esteve na CLDF, a gestão de quem passou pelo Executivo e a disposição de voltar às ruas para reconstruir uma relação direta com o eleitor.
A eleição ainda está em aberto. Mas o movimento de Delmasso já começou — e sua presença no cenário distrital tende a ser um dos elementos que merecem acompanhamento ao longo da disputa de 2026.









