domingo, setembro 6, 2026
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Trump endossa pressão de senador americano sobre Brasil por preços do agro

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Chuck Grassley afirma que agricultores dos EUA estariam pagando mais por insumos e pede que presidente adote medidas contra empresas do setor

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endossou uma manifestação do senador republicano Chuck Grassley que critica as condições comerciais enfrentadas por agricultores norte-americanos em relação ao mercado brasileiro.

Grassley, que também atua no agronegócio como produtor de milho e soja em Iowa, publicou uma mensagem direcionada a Trump na qual afirma que produtores dos Estados Unidos estariam sendo prejudicados pelos preços praticados por empresas que comercializam sementes, fertilizantes e produtos químicos.

Trump reproduziu a manifestação do senador na Truth Social, rede utilizada pelo presidente para divulgar posicionamentos e decisões políticas.

Senador pede medidas contra empresas

Na mensagem, Grassley solicitou que Trump avalie a possibilidade de aplicar ao setor agrícola uma estratégia semelhante à utilizada pelo governo norte-americano nas negociações com grandes empresas farmacêuticas.

O senador argumenta que companhias dos Estados Unidos estariam comercializando determinados produtos no exterior, inclusive no Brasil, por valores inferiores aos praticados para agricultores americanos.

Como exemplo, Grassley citou as sementes de milho. Segundo ele, produtores norte-americanos pagariam um valor 68% superior ao desembolsado por agricultores brasileiros pelo mesmo tipo de produto.

O parlamentar pediu que Trump investigue a situação e, caso identifique uma diferença considerada injusta, anuncie medidas mesmo que eventuais negociações ainda não possam ser realizadas imediatamente.

Disputa pelo mercado agrícola mundial

A manifestação ocorre em um momento de forte competição entre Brasil e Estados Unidos no comércio internacional de produtos agrícolas.

Dados citados em reportagem do Financial Times indicaram que a diferença entre as exportações agrícolas dos dois países teria caído significativamente nos últimos anos. Em 2025, a distância teria sido de aproximadamente US$ 2 bilhões, contra US$ 56 bilhões em 2021.

Um dos fatores apontados para essa mudança é o crescimento das relações comerciais entre Brasil e China.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos durante o governo Trump contribuíram para que compradores chineses ampliassem a busca por produtos brasileiros, especialmente commodities como soja e algodão.

Além das questões comerciais, a capacidade brasileira de produção agrícola é considerada um dos principais fatores para o avanço do país no mercado internacional.

Brasil amplia produção de milho

O Brasil ocupa posição de destaque na produção mundial de milho. Dados da Embrapa apontam o país como o terceiro maior produtor do cereal, atrás de Estados Unidos e China, além de estar entre os principais exportadores globais.

No mercado brasileiro, Mato Grosso aparece como o principal estado produtor.

Para a atual safra, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção próxima de 141,7 milhões de toneladas de milho, volume ligeiramente superior ao registrado no ciclo anterior.

A primeira safra do cereal já teria sido integralmente colhida, com produção estimada em aproximadamente 29,6 milhões de toneladas.

Pressão política sobre o comércio agrícola

A manifestação de Grassley adiciona um novo componente à relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. Ao pedir que Trump avalie medidas contra empresas que comercializam insumos agrícolas, o senador coloca no centro do debate a diferença de preços entre os mercados.

O posicionamento também ocorre em meio à disputa pela liderança global nas exportações agrícolas, em um cenário no qual o Brasil vem ampliando sua participação no comércio internacional de commodities.

Caso a Casa Branca decida adotar novas medidas comerciais, o setor agrícola brasileiro poderá voltar a ser diretamente afetado pelas decisões da política comercial norte-americana.