Depois de apostar em José Roberto Arruda, partido muda de rota poucas horas após decisão do TSE e anuncia apoio à governadora
A política brasiliense tem dessas reviravoltas que parecem roteiro de campanha. O Avante, que até pouco tempo estava no projeto eleitoral de José Roberto Arruda, mudou rapidamente de direção após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrar a candidatura do ex-governador e anunciou apoio à reeleição de Celina Leão (PP).
O movimento foi oficializado nesta quinta-feira (24/9), poucas horas depois da decisão do TSE. O presidente regional do Avante, o ex-senador Gim Argello, reuniu integrantes da legenda e anunciou a adesão ao projeto da governadora.
Em Brasília, a cena pode ser resumida politicamente assim: caiu Arruda, o Avante correu para pedir a bênção de Celina.
De Arruda para Celina em questão de horas
A mudança chama atenção porque PSD e Avante haviam caminhado juntos na construção da candidatura de Arruda. As duas siglas chegaram a realizar uma convenção conjunta e, durante as articulações, o Avante discutia espaço na chapa majoritária.
A relação, entretanto, já havia sofrido desgaste depois que Luiz Pitiman (PSD) foi anunciado como candidato a vice de Arruda, afastando o Avante da composição inicialmente imaginada.
Com a decisão judicial que retirou Arruda da disputa, a legenda fez uma nova escolha.
E fez rápido.
Gim sela o novo compromisso
Durante o encontro com Celina, Gim Argello afirmou que o Avante passaria a caminhar com a governadora. Segundo reportagem do GPS Brasília, o dirigente afirmou que 99% dos integrantes consultados pelo partido disseram que marchariam com Celina.
A própria governadora reconheceu que o partido anteriormente defendia outro projeto.
“Vocês tinham outro candidato de governador. É absolutamente natural que vocês lutassem pelo projeto dele”, afirmou Celina durante o encontro.
A declaração revela justamente a dimensão da mudança: o mesmo grupo que trabalhava para eleger Arruda agora passa a trabalhar pela reeleição de Celina.
A política muda de lado?
A pergunta que fica nos bastidores é inevitável: o que mudou tão rapidamente?
A resposta oficial está na decisão do TSE e na reorganização das alianças. Mas politicamente, a movimentação demonstra como a retirada de um candidato do jogo pode provocar uma rápida redistribuição de apoios.
O TSE manteve, por 5 votos a 2, o indeferimento do registro de Arruda. A Corte confirmou a decisão que impediu o ex-governador de continuar na disputa pelo Palácio do Buriti.
No mesmo dia, Celina declarou que pretende buscar os votos que estavam ligados ao ex-governador.
“Esse voto a gente vai atrás”, afirmou a governadora, ao falar sobre o eleitorado de Arruda.
O novo mapa do Buriti
A movimentação do Avante acrescenta mais uma peça ao novo desenho eleitoral do Distrito Federal.
Arruda está fora da disputa após a decisão do TSE. O Avante, que começou o processo eleitoral ao lado do ex-governador, agora anuncia apoio a Celina. E a governadora, por sua vez, já declarou publicamente que pretende disputar o eleitorado que ficou sem candidato após a decisão judicial.
Na política, alianças são feitas, desfeitas e refeitas. Mas uma coisa permanece: o eleitor vê quem estava de um lado ontem e quem aparece ao lado de quem hoje.
E, nesta quinta-feira, a fotografia política foi clara: o Avante saiu da órbita de Arruda e foi bater à porta de Celina Leão.









