Brasília aguarda espetáculo dos ipês: chuvas fora de época atrasam florada dos ipês-roxos no DF

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Um dos cartões-postais naturais mais admirados da capital federal está demorando a aparecer neste ano. Os tradicionais ipês-roxos, que costumam anunciar a chegada da estação seca com suas flores exuberantes, ainda apresentam uma floração tímida em diversas regiões do Distrito Federal.

Diferentemente de 2025, quando os primeiros registros de árvores completamente floridas ocorreram ainda no final de maio, neste ano as chuvas registradas em junho alteraram o comportamento da espécie e retardaram o espetáculo que colore ruas, parques e avenidas da cidade.

Segundo informações da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), os ipês florescem justamente durante o período de estiagem, tradicionalmente entre os meses de junho e setembro. A sequência natural da floração começa pelos ipês-roxos, seguida pelos amarelos, rosas e brancos.

As chuvas inesperadas registradas nas últimas semanas elevaram os índices de umidade relativa do ar, que variaram entre 55% e 90%, cenário incomum para esta época do ano. De acordo com especialistas, esse aumento da umidade faz com que as árvores “adiem” a emissão das flores até que as condições típicas da seca sejam restabelecidas.

A bióloga e professora de Gestão Ambiental da Universidade do Distrito Federal (UnDF), Silmary Gonçalves, explica que a floração dos ipês está diretamente ligada às condições climáticas.

“A reprodução das árvores, com produção de flores, frutos e sementes, normalmente ocorre antes do período chuvoso para garantir melhores condições de germinação. Quando acontecem chuvas fora do padrão esperado, a planta pode ajustar seu calendário biológico e retardar a floração”, destaca.

Segundo a especialista, se as precipitações forem apenas eventos isolados, a tendência é que os ipês retomem seu ciclo normal assim que o clima seco voltar a predominar. O fenômeno representa uma adaptação natural da espécie às mudanças temporárias do ambiente.

Além do impacto visual para os moradores, o atraso também pode influenciar a fauna local. Diversas espécies de insetos, aves e outros animais dependem da floração dos ipês para alimentação e polinização. Mudanças no calendário das árvores podem provocar ajustes no comportamento desses organismos, que evoluíram em sintonia com os ciclos naturais da vegetação do Cerrado.

A previsão é que o sol volte a predominar nos próximos dias, favorecendo o avanço da estação seca. Com isso, especialistas acreditam que os ipês-roxos deverão iniciar gradualmente sua floração nas próximas semanas, devolvendo ao céu azul de Brasília um dos cenários mais emblemáticos e fotografados da capital.

Enquanto o espetáculo não começa por completo, brasilienses e visitantes seguem na expectativa de ver as primeiras explosões de flores roxas transformarem novamente a paisagem urbana do Distrito Federal.