Documentos da Polícia Federal (PF) divulgados no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero revelam que Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, afirmou possuir informações e documentos que poderiam comprometer membros da família do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
De acordo com os autos, a situação teria se agravado após a prisão e a morte de Luiz Phillipi em uma carceragem da Polícia Federal, em Belo Horizonte. Segundo a investigação, a família Mourão passou a enfrentar dificuldades financeiras após o episódio.
A PF relata que, nesse contexto, Joana Mourão passou a cobrar pessoas ligadas à família Vorcaro, alegando que seu irmão teria sido abandonado por aqueles para quem teria prestado serviços com lealdade. Mensagens analisadas pelos investigadores indicam que ela demonstrava preocupação com sua situação financeira e mencionava possuir material sensível relacionado à família do banqueiro.
As conversas interceptadas mostram que intermediários ligados aos Vorcaro passaram a discutir alternativas para lidar com a situação. Entre os nomes citados está Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como “Manolo”, apontado pela PF como aliado próximo de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, e integrante de um grupo denominado pelos investigadores como “A Turma”.
Segundo a apuração, Manolo teria participado de tratativas destinadas a evitar a divulgação das informações mencionadas por Joana. Os investigadores afirmam que houve reuniões entre representantes da família Vorcaro e familiares de Luiz Phillipi para tratar do assunto.
Após um desses encontros, mensagens interceptadas indicam que foram discutidas medidas envolvendo contratos e possíveis transferências de ativos para familiares de Joana Mourão. A Polícia Federal apura se uma empresa da qual ela aparece como administradora, com capital social declarado de R$ 1 milhão, teria sido utilizada para formalizar eventuais repasses financeiros.
Outro ponto destacado pelos investigadores ocorreu após a prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Em mensagens atribuídas a Joana, ela teria manifestado a intenção de divulgar informações sobre a família a programas de televisão de grande audiência e citado Henrique Vorcaro como possível alvo de futuras denúncias.
As informações integram a Operação Compliance Zero, investigação que apura a existência de uma suposta estrutura paralela destinada à obtenção clandestina de informações, intimidação de adversários e proteção de interesses econômicos relacionados ao grupo investigado.
Na fase mais recente da operação, Henrique Vorcaro foi preso sob suspeita de coordenar atividades atribuídas aos grupos conhecidos como “A Turma” e “Os Meninos”. As investigações seguem em andamento, e os fatos ainda serão analisados pela Justiça.
Importante: As informações citadas constam em documentos da Polícia Federal e representam elementos investigativos. Os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório, conforme previsto na legislação brasileira.









