quinta-feira, setembro 10, 2026
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Celina Leão vira alvo de ataques em debate da TMC após decidir não participar

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Ausência da governadora abriu espaço para adversários concentrarem críticas em sua gestão; estratégia ocorre após confrontos duros em debates anteriores

Brasília — A ausência da governadora Celina Leão (PP) no debate promovido pela TMC, na terça-feira (8), não impediu que seu nome dominasse boa parte do confronto entre os candidatos ao Governo do Distrito Federal.

Convidada para participar do encontro, Celina informou previamente que não compareceria em razão de compromissos de campanha em Samambaia e Ceilândia. Segundo a agenda divulgada por sua campanha, ela participaria da inauguração de um comitê em Samambaia e, posteriormente, teria reunião com moradores de Ceilândia.

Participaram do debate José Roberto Arruda, Leandro Grass, Ricardo Cappelli, Paula Belmonte e Kiko Caputo. Com a ausência da atual governadora, os adversários aproveitaram o espaço para fazer críticas à administração do DF.

Celina já havia sido o principal alvo em outro debate

A estratégia de não comparecer ao encontro da TMC ocorre depois de um primeiro debate marcado por fortes ataques à governadora.

No debate da Band, realizado em agosto, Celina foi apontada como o principal alvo dos adversários. Saúde, educação, mobilidade e, principalmente, a situação do BRB estiveram entre os temas utilizados para questionar a gestão.

Na ocasião, a própria governadora classificou o confronto como uma espécie de “caça à leoa”, argumentando que seus adversários a tratavam como responsável por problemas que, segundo ela, foram herdados de administrações anteriores.

A crise envolvendo o BRB tornou-se um dos principais pontos de confronto. Celina procurou se desvincular das decisões tomadas durante o período em que era vice-governadora de Ibaneis Rocha e afirmou que não tinha poder para interferir em determinadas decisões da administração anterior.

Ausência também virou munição eleitoral

No debate da TMC, a estratégia acabou produzindo um efeito previsível: sem Celina presente para responder diretamente, os ataques ficaram sem contraditório durante o programa.

José Roberto Arruda afirmou que uma candidata que não comparece a debates não teria competência para governar três milhões de habitantes. Paula Belmonte também fez críticas à ausência e questionou o conhecimento da governadora sobre a própria estrutura administrativa do GDF.

A situação evidencia um dilema para a campanha de Celina: participar dos debates significa enfrentar simultaneamente vários adversários e correr o risco de transformar o encontro em uma sequência de ataques; não participar, por outro lado, permite que os concorrentes apresentem suas críticas sem uma resposta imediata.

Estratégia tem respaldo no cenário eleitoral

A decisão da campanha não acontece em um cenário de fragilidade eleitoral.

Pesquisa Quaest divulgada em 8 de setembro mostra Celina com 35% das intenções de voto para o primeiro turno, contra 18% de José Roberto Arruda e 17% de Leandro Grass. Paula Belmonte aparece com 4% e Ricardo Cappelli com 2%.

A mesma pesquisa aponta vantagem de Celina em simulações de segundo turno contra Arruda e Grass.

Diante desse quadro, a campanha pode interpretar que o debate não necessariamente representa uma oportunidade proporcional ao risco de desgaste. Essa avaliação já vinha sendo discutida antes do encontro da TMC: reportagem da Folha informou que, depois de ser alvo dos adversários em debates anteriores, a governadora avaliava reduzir sua participação nesse tipo de evento.

O eleitor, entretanto, merece respostas

A discussão coloca uma questão importante no centro da campanha: qual é o papel dos debates em uma eleição cada vez mais dominada pelas redes sociais?

Especialistas ouvidos pelo UOL avaliam que os debates continuam relevantes, especialmente porque permitem comparar candidatos sob as mesmas regras. Ao mesmo tempo, os chamados “cortes” para redes sociais passaram a ter peso crescente, incentivando confrontos e frases de efeito.

No caso de Celina, o desafio será equilibrar duas estratégias: preservar a vantagem eleitoral e, ao mesmo tempo, garantir que suas propostas e explicações cheguem diretamente ao eleitor.

Com a campanha oficialmente se aproximando do início, os ataques tendem a aumentar. E, se Celina optar por não comparecer a determinados debates, cada ausência provavelmente será transformada pelos adversários em mais um argumento político.

No fim, a disputa não será apenas sobre quem fala mais alto nos debates. Será sobre quem consegue convencer o eleitor de que tem as melhores respostas para governar o Distrito Federal.

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Eduardo Magregor
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