Candidata ao GDF promete transformar Brasília e zerar filas na saúde, enquanto questões empresariais e judiciais envolvendo seu nome e o de seu marido ganham repercussão
Brasília — A disputa pelo Governo do Distrito Federal começa a ganhar contornos mais intensos, e, ao lado das propostas apresentadas pelos candidatos, questões relacionadas à vida empresarial e judicial também passam a ocupar espaço no debate público.
A deputada distrital Paula Belmonte (PSDB), pré-candidata ao Palácio do Buriti, tem adotado um discurso de forte oposição à atual gestão e promete transformar o Distrito Federal, incluindo a meta de reduzir drasticamente as filas da saúde pública ao longo de um eventual mandato.
Entretanto, reportagens recentes colocaram sob os holofotes questões patrimoniais e empresariais envolvendo a parlamentar e seu marido, o advogado Luis Felipe Belmonte.
Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles, quatro imóveis ligados ao casal foram incluídos em processo de leilão judicial relacionado a uma dívida que, após atualização monetária e juros, chegou a R$ 253,6 milhões. O processo tramita na Justiça do Distrito Federal há anos.
Disputa empresarial também envolve empresa da qual Paula é sócia
Outro caso citado nas reportagens envolve a Alvoran Investimento, Participações e Administração, empresa que tem Luis Felipe Belmonte como sócio-administrador e da qual Paula Belmonte possui participação minoritária.
De acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira (10), a empresa é alvo de cobrança judicial superior a R$ 3 milhões relacionada à aquisição de uma gráfica realizada em 2022.
A Justiça determinou medidas de penhora no processo. A defesa da empresa, entretanto, sustenta que houve divergências relacionadas à situação financeira e operacional do negócio e afirma que existia previsão contratual para o desfazimento da operação.
Defesa afirma que parlamentar não é responsável pelas dívidas
A situação exige, porém, uma distinção importante: a existência de processos ou cobranças judiciais não significa, por si só, incapacidade para o exercício de um cargo público.
No caso da dívida de R$ 253,6 milhões, a defesa de Paula Belmonte afirma que a parlamentar não é parte da dívida discutida no processo, atribuindo a controvérsia a uma operação empresarial envolvendo seu marido.
A assessoria também afirma que os valores são objeto de questionamentos judiciais e que a discussão está submetida ao Superior Tribunal de Justiça.
No processo envolvendo a Alvoran, a defesa afirma ainda que Paula possui apenas 7% de participação na empresa e sustenta que houve um passivo que não teria sido informado no momento da aquisição da gráfica.
O impacto político
O episódio ganha dimensão política porque Paula Belmonte pretende apresentar-se ao eleitorado como alternativa para administrar o Distrito Federal.
Nesse cenário, a discussão deixa de ser apenas sobre os processos judiciais e passa também pela coerência do discurso eleitoral.
Quem pretende assumir a administração de um orçamento bilionário precisa estar preparado para responder perguntas sobre gestão, planejamento, responsabilidade fiscal, transparência e capacidade administrativa.
Ao mesmo tempo, é necessário evitar conclusões antecipadas: processos empresariais, cobranças ou disputas patrimoniais não equivalem automaticamente a condenações ou à demonstração de incapacidade para governar.
Eleição deve ampliar cobrança por propostas
A disputa pelo Buriti tende a aumentar a exposição dos candidatos e, consequentemente, a cobrança por explicações.
Para além das críticas à gestão atual e das promessas de transformação do DF, o eleitor deverá avaliar propostas concretas para saúde, segurança, mobilidade, educação, geração de empregos e equilíbrio das contas públicas.
No caso de Paula Belmonte, as recentes reportagens acrescentam um novo elemento ao debate: a necessidade de explicar ao eleitorado, com transparência, as questões empresariais e judiciais que envolvem seu patrimônio e empresas das quais participa.
No fim, a eleição será decidida não apenas pelas promessas de um “novo Distrito Federal”, mas também pela confiança que cada candidato conseguir transmitir ao eleitor.









