sexta-feira, setembro 18, 2026
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Lula ataca Celina Leão em comício, mas governadora responde: “aval não é doação”

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Presidente transforma crise do BRB em tema de discurso político; governadora rebate, apresenta diferença entre aval e repasse de recursos e acusa governo federal de transformar o banco em instrumento eleitoral

O confronto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, ganhou forte dimensão política nesta semana. O centro da disputa é o futuro do Banco de Brasília (BRB), mas o episódio também expôs duas interpretações distintas sobre a crise e sobre o papel do governo federal na solução financeira da instituição.

Durante comício realizado em Ceilândia, na quarta-feira (16), Lula afirmou que a União não colocaria dinheiro no BRB e responsabilizou a gestão anterior do Distrito Federal pela crise. No discurso, o presidente afirmou que a ligação entre o ex-governador Ibaneis Rocha e Daniel Vorcaro, do Banco Master, estaria na origem do problema. Lula também acusou Celina de tentar transferir a responsabilidade para o governo federal.

A resposta da governadora veio no dia seguinte e foi direcionada principalmente ao argumento financeiro apresentado pelo presidente.

“Ninguém está pedindo dinheiro ao governo federal”

Celina afirmou que o Distrito Federal não pediu uma doação ou transferência de recursos da União para cobrir o problema do BRB.

Segundo a governadora, o pedido envolve aval da União para uma operação de crédito, que seria contratada e paga pelo próprio Distrito Federal.

Aval não é doação, nós temos que pagar”, afirmou Celina em vídeo divulgado após o discurso de Lula.

A distinção é central para o debate.

Uma garantia federal não representa, automaticamente, uma transferência imediata de dinheiro dos cofres da União para o BRB. Trata-se de uma estrutura de garantia para uma operação financeira, na qual precisam ser definidos devedor, garantias, contragarantias e condições de eventual acionamento da garantia.

O pedido do GDF envolve uma operação de até R$ 6,6 bilhões, tema que está sendo discutido institucionalmente e chegou ao Supremo Tribunal Federal.

Celina muda o eixo do confronto

A estratégia de resposta da governadora foi retirar o debate do terreno da troca de acusações e colocá-lo sobre três pontos: BRB, garantia financeira e responsabilidade institucional.

Celina argumentou que o BRB não pertence a ela nem a um partido político, mas é um patrimônio do Distrito Federal, com funcionários, clientes, empresas e famílias dependentes de suas operações.

O presidente pode me atacar, apoiar meu adversário e fazer campanha contra mim. O que você não pode fazer é transformar o BRB em uma arma eleitoral”, afirmou.

A governadora também questionou o tratamento dado ao BRB em comparação com outras empresas públicas. Em sua manifestação, citou garantias concedidas pelo governo federal a empréstimos dos Correios e perguntou por que o aval solicitado para o banco do Distrito Federal estaria sendo tratado de maneira diferente.

“Eleição passa. O DF fica”

No trecho mais político da resposta, Celina afirmou que o presidente pode disputar eleitoralmente contra ela, mas não deveria utilizar o BRB como instrumento dessa disputa.

A governadora encerrou sua manifestação com um apelo institucional a Lula: “Eleição passa, governos passam, partidos passam, mas o nosso DF fica.”

A frase sintetiza a linha adotada por Celina: separar o confronto eleitoral da necessidade de preservar uma instituição financeira pública do Distrito Federal.

O discurso de Lula ocorreu em ambiente eleitoral

O contexto do discurso também é relevante.

Lula estava em Ceilândia em um ato político que contou com a participação do candidato do PT ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass. Na mesma agenda, o presidente fez críticas a adversários políticos e pediu apoio a candidatos de seu campo político.

Foi nesse ambiente que o presidente abordou a crise do BRB e dirigiu críticas à governadora.

A resposta de Celina, portanto, não ficou restrita à questão bancária. A governadora passou a enquadrar o episódio como uma discussão sobre independência institucional do BRB e interferência da disputa eleitoral na solução de um problema financeiro.

O ponto técnico que Lula e Celina apresentam de maneiras diferentes

Há uma diferença objetiva entre as duas narrativas.

Lula: a União não deve colocar dinheiro para cobrir o problema do BRB.

Celina: o pedido do DF não é uma doação da União, mas uma garantia para uma operação de crédito que será paga pelo próprio Distrito Federal.

Essas afirmações não são necessariamente contraditórias porque tratam de instrumentos financeiros diferentes. A questão concreta é saber qual estrutura de garantia será adotada, quais serão as contragarantias e quem assumirá o risco caso a operação não seja honrada.

Esse é justamente um dos pontos que estão sendo analisados no âmbito institucional. O ministro Luiz Fux determinou que União, Banco Central e Fundo Garantidor de Créditos apresentassem esclarecimentos sobre o pedido relacionado ao BRB.

Celina também enfrenta o debate sobre o Banco Master

A defesa política da governadora não elimina outra questão em discussão: sua posição durante as negociações envolvendo o Banco Master.

Celina afirma que era contrária à operação e nega ter participado diretamente das tratativas com Daniel Vorcaro.

Mensagens encontradas no telefone de Vorcaro, entretanto, mostram o banqueiro discutindo com interlocutores a posição de Celina e afirmando que ela não teria ficado completamente fora das negociações. O conteúdo é objeto de investigação e, isoladamente, não comprova que Celina tenha autorizado ou conduzido a operação.

A governadora mantém sua versão de que se opôs ao negócio.

O verdadeiro campo de batalha

O embate entre Lula e Celina acabou criando uma disputa política com três dimensões diferentes.

Primeira: descobrir quem tomou as decisões relacionadas às operações do BRB com o Master.

Segunda: encontrar uma solução financeira capaz de preservar o banco e reduzir os prejuízos.

Terceira: impedir que a crise bancária seja utilizada apenas como instrumento de disputa eleitoral.

O próprio setor produtivo do Distrito Federal passou a defender diálogo institucional e uma solução técnica para o BRB, destacando a importância do banco para crédito, empresas, empregos e programas públicos.

Nesse cenário, a resposta de Celina procura estabelecer uma linha política clara: ela aceita o debate sobre a responsabilidade pela crise, mas rejeita que o futuro do BRB seja condicionado à disputa eleitoral de 2026.

E é justamente aí que o confronto com Lula ganha força.

De um lado, o presidente afirma que não colocará dinheiro da União para socorrer o BRB. Do outro, a governadora responde que não está pedindo dinheiro, mas aval, e que negar essa garantia por razões políticas poderia prejudicar diretamente uma instituição que pertence ao Distrito Federal.

No meio desse confronto está o BRB uma instituição pública cuja crise financeira precisa ser solucionada, independentemente de quem ocupe o palanque ou o Palácio do Buriti.

**A eleição pode definir os próximos governantes. Mas a conta do BRB, qualquer que seja sua solução, será definida por decisões administrativas, financeiras e jurídicas — e não apenas por discursos.**

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Eduardo Magregor
Criado por Eduardo Magregor, jornalista, escritor e desenvolvedor de leis e projetos, o OLHAR DIGITAL é um blog popular voltado para a informação sociocultural. Este veículo de comunicação se destaca por seu compromisso em fazer a diferença. O blog reúne conteúdos precisos e sérios, voltados a informar sobre melhorias e benefícios promovidos pelo nosso governo. Entre seus conteúdos, estão matérias especiais, entrevistas com grandes autoridades e artigos sobre empresas inovadoras. O objetivo é levar ao público uma expressão fiel dos fatos e destacar o impacto positivo na nossa sociedade.