Candidata a deputada federal, Mayara Noronha fala sobre as causas que movem sua trajetória, os projetos que marcaram sua passagem pelo GDF, o que aprendeu na gestão pública e o legado que pretende construir no Congresso Nacional
Por Eduardo Magregor
Há candidaturas que começam com uma eleição. Outras começam muito antes dela.
No caso de Mayara Noronha, candidata a deputada federal pelo Distrito Federal, número 2027, a campanha representa a continuidade de uma trajetória que passou por experiências pessoais, profissionais e pela administração pública.
Sua passagem pelo Governo do Distrito Federal colocou Mayara diante de uma realidade que não aparece nos discursos de campanha: a vida concreta de quem depende de políticas públicas.
Famílias em situação de vulnerabilidade, jovens em busca de oportunidades, pacientes que precisam de atendimento humanizado e estudantes que sonham em conhecer possibilidades que muitas vezes parecem distantes.
É desse contato com a realidade que ela afirma ter construído parte das bandeiras que pretende levar para o Congresso Nacional.
E, nesta entrevista, Mayara fala sobre aquilo que a move, o que aprendeu, o que ainda pretende construir e como gostaria de ser lembrada no futuro.
“POLÍTICA PRECISA TER UM MOTIVO”
PERGUNTA — Quais são as causas, projetos ou temas que realmente fazem seus olhos brilharem? O que você gostaria de transformar através do seu trabalho?
MAYARA NORONHA
Existem causas que fazem sentido para mim porque estão relacionadas àquilo que acredito como mulher, como mãe e como cidadã. Família, mulheres, educação, juventude, saúde, segurança alimentar, oportunidades e desenvolvimento social são temas que considero fundamentais. Mas existe uma palavra que conecta todas essas áreas: oportunidade.
Eu acredito que uma pessoa não pode ser condenada pelo lugar onde nasceu ou pela condição financeira de sua família.
Precisamos criar caminhos para que as pessoas possam avançar. Se uma família precisa de assistência, o Estado precisa estar presente. Mas também precisamos pensar em como criar condições para que essa família tenha autonomia.
Se temos um jovem talentoso na escola pública, precisamos perguntar por que ele não pode ter acesso às mesmas oportunidades que um jovem de uma família mais rica.
Foi pensando nisso que projetos como o Pontes para o Mundo ganharam significado para mim.
A política, para Mayara, não deve apenas administrar a dificuldade. Deve criar condições para que a dificuldade deixe de determinar o futuro de uma pessoa.
“EU PENSAVA NAQUILO QUE EU NÃO TIVE”
PERGUNTA — O Pontes para o Mundo tem uma importância especial na sua trajetória?
MAYARA NORONHA
Tem, porque existe uma dimensão muito pessoal.Eu penso nas oportunidades que não tive quando era mais jovem. E isso me fez olhar para outros jovens e pensar que talvez pudéssemos fazer diferente.
O Pontes para o Mundo representa exatamente isso. Um estudante da rede pública poder conhecer outro país, experimentar outra cultura, estudar em um ambiente internacional e descobrir que existem possibilidades muito maiores do que aquelas que ele imaginava.
Eu queria que aquele jovem pudesse voltar para casa com uma nova perspectiva. Que ele percebesse que o mundo também pode ser dele. Não quero que uma oportunidade internacional seja determinada apenas pelo poder econômico da família. Quero que dedicação, talento, estudo e oportunidade também possam abrir essa porta.
“Eu não tive determinadas oportunidades. Por isso, quero ajudar a construir oportunidades para quem ainda está esperando a sua.”
QUANDO UMA POLÍTICA PÚBLICA MUDA DE ESCALA
A experiência no GDF também colocou Mayara diante de políticas sociais de grande alcance.
O Cartão Prato Cheio, por exemplo, tornou-se uma das principais políticas de segurança alimentar do Distrito Federal. Em declaração pública, Mayara afirmou que a iniciativa já havia alcançado mais de 500 mil famílias.
O número revela a dimensão populacional que uma política pública pode alcançar quando deixa de ser apenas uma ideia e passa a integrar uma estrutura permanente de atendimento.
Mas, para Mayara, por trás dos números existem histórias. Uma família que consegue colocar comida na mesa. Uma mãe que consegue atravessar um período de dificuldade. Uma criança que recebe alimentação em um momento de vulnerabilidade. É essa dimensão humana que ela afirma levar consigo para a política.
“NÚMEROS SÃO IMPORTANTES, MAS POR TRÁS DELES EXISTEM PESSOAS”
PERGUNTA — Durante sua experiência no GDF, quais conquistas você considera mais importantes?
MAYARA NORONHA
Eu tenho muito orgulho de iniciativas que conseguiram chegar às pessoas em momentos em que elas realmente precisavam.
O Prato Cheio é um exemplo.
Quando falamos em centenas de milhares de famílias, podemos transformar isso em uma estatística. Mas eu não consigo enxergar dessa maneira. Eu penso nas pessoas. Penso na mãe que estava preocupada com a alimentação dos filhos.
Penso na família que precisava daquele apoio. Penso que uma política pública precisa ter rosto. É por isso que acredito tanto em políticas que consigam sair do papel e chegar à ponta.
“Uma política pública pode ser registrada em números, mas seu verdadeiro resultado aparece na vida de quem foi alcançado.”
HUMANIZAR O ESTADO
Outro capítulo importante da trajetória de Mayara foi sua participação em iniciativas de humanização na saúde.
A proposta do Humanizar partiu de uma preocupação simples, mas profunda: quem procura atendimento médico geralmente está vivendo um momento de fragilidade.
O paciente não deveria ser tratado apenas como uma senha ou um número.
Deveria ser acolhido como pessoa. Essa visão se conecta diretamente à concepção de Mayara sobre administração pública. O Estado precisa funcionar, mas também precisa compreender quem está do outro lado do balcão.
“QUEM ESTÁ DOENTE NÃO PRECISA APENAS DE UM SERVIÇO”
PERGUNTA — O que a experiência na saúde ensinou para você?
MAYARA NORONHA
Ensinou que gestão pública precisa ter eficiência, mas também precisa ter humanidade. Uma pessoa que chega a um hospital está muitas vezes assustada, com dor ou preocupada com alguém da família.
Ela precisa do atendimento médico, obviamente. Mas também precisa ser respeitada. Precisa de orientação. Precisa saber onde está, o que está acontecendo e quais são os próximos passos. A experiência com o Humanizar reforçou em mim a certeza de que podemos melhorar o serviço público quando olhamos para a experiência do cidadão.
“O cidadão não pode ser tratado como número quando está diante do Estado. Antes de ser usuário de um serviço, ele é uma pessoa.”
DO EXECUTIVO PARA O CONGRESSO
A candidatura a deputada federal representa uma mudança importante de escala. Mayara já experimentou a realidade do Executivo. Agora pretende levar essa experiência para o Legislativo federal. “Ela Fez, Ela Faz”.
A diferença está nas ferramentas.
No Executivo, a política pública é executada diretamente pela administração. No Congresso, o parlamentar participa da construção de leis, da fiscalização do Executivo, da discussão do orçamento e da articulação de políticas e recursos que podem alcançar estados e municípios.
A experiência anterior passa, portanto, a funcionar como uma espécie de laboratório de realidade.
“QUERO LEVAR EXPERIÊNCIA, NÃO APENAS PROMESSAS”
PERGUNTA — O que você acredita que poderá fazer como deputada federal que não era possível realizar anteriormente?
MAYARA NORONHA
A Câmara dos Deputados permite trabalhar em uma escala nacional. Quero levar aquilo que aprendi no Distrito Federal para debates que possam beneficiar outras comunidades. Quero defender políticas que valorizem famílias, mulheres, jovens, educação, saúde e oportunidades. Mas também quero defender uma forma diferente de fazer política.
Precisamos acompanhar resultados. Precisamos saber quanto foi investido. Quantas pessoas foram alcançadas. O que funcionou. O que precisa ser corrigido. Não podemos tratar política pública como uma promessa que termina quando é anunciada. Ela precisa ser acompanhada até chegar ao cidadão.
O DESAFIO DE TRANSFORMAR EXPERIÊNCIA EM LEGADO
A diferença entre uma carreira política e um legado político está justamente naquilo que permanece. Um mandato termina. Uma política bem estruturada pode continuar. Uma pessoa deixa um cargo.
Uma oportunidade pode transformar uma geração.
Por isso, Mayara afirma que não pretende medir seu futuro político apenas pelos cargos que poderá ocupar, mas pelo impacto que conseguir produzir.
“EU NÃO QUERO SER LEMBRADA APENAS POR UM CARGO”
PERGUNTA — Quando a história de Mayara Noronha for contada daqui a muitos anos, como você gostaria que as pessoas se lembrassem de você?
MAYARA NORONHA
Eu gostaria de ser lembrada como uma mulher que trabalhou.
Como uma pessoa que teve coragem de enfrentar desafios e que não deixou de acreditar mesmo quando as coisas ficaram difíceis.
Quero ser lembrada pelas oportunidades que ajudei a criar. Pelas famílias que conseguimos alcançar. Pelos jovens que puderam enxergar um caminho diferente. E pelas mulheres que, de alguma maneira, olharam para minha história e entenderam que também poderiam ocupar espaços de decisão.
Eu não quero que minha história seja resumida a um cargo.
Quero que seja lembrada pelo que fiz enquanto tive a oportunidade de ocupar aquele espaço.
“Cargo termina. Mandato termina. O que permanece é aquilo que conseguimos deixar na vida das pessoas.”
SE PUDESSE CONVERSAR COM A MAYARA DE DEZ ANOS ATRÁS
PERGUNTA — Se pudesse conversar hoje com a Mayara de dez anos atrás, o que diria a ela?
MAYARA NORONHA
Eu diria para ela confiar mais. Confiar no processo. Confiar na própria capacidade. Entender que nem todo obstáculo significa que o caminho está errado. Alguns obstáculos existem justamente para nos preparar. Também diria para ela não ter medo de sonhar grande. Porque, muitas vezes, nós mesmos diminuímos nossos sonhos antes que alguém tenha a oportunidade de fazer isso. E diria uma coisa que continuo acreditando até hoje: tenha fé, trabalhe e não desista porque alguém disse que você não conseguiria.
“Não permita que a dúvida dos outros se transforme no limite dos seus próprios sonhos.”
O PRÓXIMO CAPÍTULO
Mayara reconhece que ainda existe muito a ser construído. A candidatura federal representa justamente esse próximo capítulo. A intenção é transformar experiências acumuladas em uma agenda capaz de alcançar uma dimensão maior.
Mas existe também uma preocupação com a própria política. Mayara defende uma renovação que não seja apenas estética ou eleitoral.
Para ela, renovar significa recuperar a capacidade de entregar resultados. Significa permitir que novas lideranças tenham espaço. Significa fazer com que a população volte a enxergar sentido na representação política. E significa construir políticas que possam sobreviver aos próprios políticos.
“A POLÍTICA PRECISA SER RENOVADA PARA CONTINUAR EXISTINDO”
PERGUNTA — Que tipo de política você acredita que o Brasil precisa construir para o futuro?
MAYARA NORONHA
Precisamos renovar a política para que ela nunca deixe de existir como instrumento de transformação da vida das pessoas.
Eu não acredito que o problema seja a política. A política é necessária. O problema é quando ela deixa de cumprir sua função. Quando o cidadão deixa de se sentir representado.
Quando as pessoas passam a acreditar que nada muda. Precisamos recuperar essa confiança. E isso só acontece quando o cidadão percebe resultado. Quando uma mãe percebe que uma política pública ajudou sua família. Quando um jovem recebe uma oportunidade. Quando um paciente é tratado com dignidade. Quando uma pessoa consegue trabalhar e melhorar sua própria vida. É isso que faz a política voltar a ter significado.
UM PROJETO POLÍTICO QUE PRETENDE COMEÇAR PELA PESSOA
A trajetória apresentada por Mayara Noronha reúne diferentes dimensões. Existe a mulher. Existe a mãe. Existe a gestora. Existe a experiência no Governo do Distrito Federal. Existe a candidata.
Mas, acima de todas essas dimensões, existe uma ideia que atravessa seu discurso: a política precisa voltar a produzir esperança por meio de resultados concretos.
O desafio de uma candidatura federal é transformar essa experiência em atuação parlamentar.
O eleitor terá a oportunidade de avaliar a trajetória, as propostas e a capacidade de representação.
Mayara, por sua vez, apresenta o número 2027 como a identificação de uma candidatura que pretende transformar experiência em futuro.
A pergunta que permanece é a mesma que acompanha qualquer projeto político:
o que será feito com a confiança recebida?
Para Mayara, a resposta precisa estar na entrega. Na capacidade de trabalhar. Na disposição de ouvir. Na coragem de enfrentar problemas. E na construção de políticas que continuem beneficiando a população mesmo depois que os holofotes se apaguem.
A PALAVRA FINAL DE MAYARA NORONHA
Para encerrar a entrevista, a candidata deixa uma mensagem diretamente aos eleitores do Distrito Federal.
“Eu quero pedir ao eleitor que não olhe apenas para o número 2027, mas para a história que existe por trás dele. Minha candidatura representa uma trajetória de desafios, aprendizados, conquistas e, acima de tudo, uma vontade muito grande de continuar trabalhando pelas pessoas. Eu sei que confiança não se pede simplesmente; confiança se conquista com atitudes, responsabilidade e resultados. Quero levar para Brasília a experiência que acumulei, mas também a disposição para aprender, ouvir e construir. Acredito em uma política renovada, porque acredito que a política ainda é uma das maiores ferramentas que temos para transformar a realidade. Quero que cada família saiba que sua história importa, que cada jovem saiba que pode sonhar maior e que cada mulher saiba que também pode ocupar os espaços onde as decisões são tomadas. Se eu receber a confiança de vocês, vou trabalhar para honrar essa escolha todos os dias. Porque um mandato pode durar quatro anos, mas aquilo que fazemos pelas pessoas pode deixar marcas por gerações.”
Vejam aqui a rede social: https://www.instagram.com/mayara.noronharocha?stkn=MWY4dDNtcTF0MWVicQ==









