terça-feira, outubro 6, 2026
Início Notícias Brasil SEGUNDO TURNO MUDA O JOGO: CANDIDATOS ALIADOS VIRAM FORÇA DE MOBILIZAÇÃO PARA...

SEGUNDO TURNO MUDA O JOGO: CANDIDATOS ALIADOS VIRAM FORÇA DE MOBILIZAÇÃO PARA CELINA LEÃO NO DF

0
10

Com disputas proporcionais encerradas, lideranças dos partidos da coligação podem concentrar esforços na corrida pelo Buriti; reunião com Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e dirigentes partidários marca reorganização da campanha

O segundo turno começou — e com ele começa também uma eleição diferente no Distrito Federal.

Se no primeiro turno centenas de candidatos precisavam dividir esforços entre suas próprias campanhas para deputado distrital, deputado federal e Senado e a disputa majoritária, agora o cenário mudou completamente.

As urnas encerraram as disputas proporcionais. Eleitos ou não, candidatos que passaram meses percorrendo as regiões administrativas, formando equipes, conversando com comunidades e construindo bases eleitorais estão livres de suas próprias campanhas.

E é justamente essa estrutura política que pode ganhar importância na reta final da disputa pelo Palácio do Buriti.

A governadora Celina Leão (PP) terminou o primeiro turno com 825.530 votos, ou 49,93% dos votos válidos. Leandro Grass (PT) recebeu 569.930 votos, correspondentes a 34,47%. O segundo turno será realizado em 25 de outubro.

O dado que dimensiona o tamanho da disputa é ainda mais impressionante: segundo os números da apuração, Celina ficou a apenas 168 votos de atingir a quantidade necessária para vencer já no primeiro turno.

Agora, a campanha entra em uma fase em que cada liderança, cada partido e cada base eleitoral poderá fazer diferença.

A COLIGAÇÃO AGORA PODE MOSTRAR SUA FORÇA NAS RUAS

Celina não chegou aos 49,93% sustentada por uma única legenda.

A coligação Propósito e Ação reúne Republicanos, MDB, Podemos, PL, DC, Mobiliza, Democrata, Federação Renovação Solidária e Federação União Progressista.

É uma estrutura que reúne diferentes partidos e, principalmente, dezenas de lideranças que acabaram de atravessar uma campanha eleitoral completa.

Cada candidato proporcional construiu sua própria rede.

São apoiadores, coordenadores, lideranças comunitárias, equipes de rua, grupos políticos e eleitores espalhados por regiões como Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Planaltina, Gama, Santa Maria, São Sebastião, Paranoá, Itapoã, Recanto das Emas, Sobradinho e tantas outras localidades do DF.

No primeiro turno, naturalmente, esses candidatos tinham como prioridade também conquistar seus próprios votos.

Agora suas eleições terminaram.

E aqueles que decidirem assumir diretamente a campanha de Celina poderão funcionar, politicamente, como importantes cabos eleitorais da candidata neste segundo turno.

Não se trata apenas dos eleitos.

Um candidato que não conquistou uma cadeira pode ter recebido centenas ou milhares de votos em determinada região e possuir influência dentro daquela comunidade.

Somadas, essas bases representam uma capacidade considerável de mobilização.

ELEITOS E NÃO ELEITOS PASSAM A TER UMA NOVA MISSÃO POLÍTICA

É aí que o segundo turno muda completamente a lógica da campanha.

Imagine dezenas de candidatos voltando às mesmas comunidades onde estiveram pedindo votos nas últimas semanas.

Só que, desta vez, sem precisar dizer:

“Vote em mim.”

Agora podem apresentar diretamente aos seus apoiadores o candidato ao governo que decidiram apoiar.

A caminhada pode ser pela majoritária.

A reunião comunitária pode ser pela majoritária.

As redes sociais podem concentrar atenção na majoritária.

E lideranças que construíram relação pessoal com seus eleitores durante meses podem transformar essa confiança em capacidade de mobilização para o segundo turno.

Na prática, a grande estrutura partidária deixa de disputar votos internamente e pode começar a trabalhar por um único objetivo majoritário.

É justamente aí que a dimensão da coligação de Celina poderá ser testada.

REUNIÃO MOSTRA QUE ARTICULAÇÃO JÁ COMEÇOU

Nesta segunda-feira (5), Celina reuniu representantes dos partidos aliados para discutir os próximos passos da campanha.

Estiveram presentes as senadoras eleitas Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), além dos deputados Victor Jansen e Thiago Manzoni.

Entre as representações partidárias citadas estavam Natália Miranda, pelo Democrata; Wellington Luiz, pelo MDB; Manoel Arruda e Eduardo Pedrosa, pelo União Brasil; Joaquim Mauro Silva, pelo Republicanos; Cristian Viana, pelo Podemos; Pablo Valente, pelo PRD; Izaquiel Souza, pelo DC; Rogério Campos, pelo Mobiliza; Paulo Octavio, pelo PSD; além de Júnior Moreira e Dr. Everardo Gueiros, do Solidariedade.

O encontro evidencia que a segunda etapa da campanha começa também pelas estruturas partidárias.

E Celina busca ampliar esse arco.

A governadora confirmou que telefonou para Kiko Caputo (Novo), adversário no primeiro turno, e combinou uma conversa sobre eventual apoio no segundo turno.

O CASO DOS 26 MIL VOTOS NO NÚMERO 22 ACENDE UM ALERTA

Existe ainda outro elemento que deverá receber atenção especial dos aliados: comunicar claramente o número de Celina na urna.

Dados analisados a partir da totalização do TSE mostram que 26.603 eleitores digitaram 22 para governador, produzindo voto nulo, já que o PL não tinha candidatura própria ao GDF e integrava a coligação de Celina.

O número da candidata ao governo é 11.

Celina comentou o episódio após a reunião e afirmou que a campanha continuará reforçando a informação correta sobre seu número.

A comparação chama atenção porque foram mais de 26 mil votos digitados no 22, enquanto apenas 168 votos separaram Celina da quantidade necessária para vencer no primeiro turno. Isso não permite afirmar que todos esses eleitores pretendiam votar nela, mas transforma a comunicação do número correto em um ponto objetivo da campanha.

É justamente nesse trabalho que candidatos e dirigentes do PL aliados a Celina podem exercer papel importante.

DEZENAS DE CAMPANHAS PODEM SE TRANSFORMAR EM UMA GRANDE REDE

O maior ativo dos partidos aliados neste momento talvez não esteja apenas em suas siglas.

Está nas pessoas.

Cada candidato terminou o primeiro turno carregando consigo uma pequena ou grande estrutura eleitoral.

Quando essas estruturas são somadas, surge uma rede capaz de alcançar praticamente todo o Distrito Federal.

O desafio da coligação será transformar essa capilaridade em mobilização efetiva.

Quem ontem pedia voto para si pode agora pedir voto para Celina.

Quem caminhava por uma região apresentando sua própria candidatura pode retornar apresentando o projeto majoritário que apoia.

Quem administrava grupos de apoiadores pode mobilizá-los novamente.

Quem possui liderança dentro de uma comunidade pode colocar essa capacidade de articulação na disputa pelo Buriti.

Isso ajuda a explicar por que os partidos coligados ganham uma importância ainda maior depois do primeiro turno.

CELINA CHEGOU A 49,93%. AGORA COMEÇA OUTRA ELEIÇÃO

O resultado das urnas colocou Celina muito próxima da maioria absoluta, mas não encerrou a disputa.

A eleição de 25 de outubro será uma nova votação entre apenas duas candidaturas.

Celina Leão e Leandro Grass terão pouco menos de três semanas para disputar os eleitores que votaram em outras candidaturas, os que votaram branco ou nulo e aqueles que eventualmente decidirem mudar de escolha.

E o adversário também buscará alianças, apoios e novas bases eleitorais.

Por isso, o segundo turno não pode ser analisado simplesmente como continuação matemática do primeiro.

Será uma disputa de reorganização de forças.

No campo de Celina, uma das principais questões será saber quanto da ampla estrutura que esteve espalhada entre inúmeras campanhas conseguirá agora caminhar na mesma direção.

A legislação eleitoral de 2026 já permite a retomada das atividades de campanha do segundo turno, observadas as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral. O calendário prevê a votação definitiva para 25 de outubro.

A candidata começa essa nova etapa carregando os 825.530 votos conquistados no primeiro turno.

Mas carrega também algo que não aparece diretamente no placar:

uma ampla rede de partidos, candidatos, dirigentes e lideranças que agora já não precisam disputar suas próprias eleições e podem concentrar sua capacidade política na corrida pelo Governo do Distrito Federal.

O primeiro turno mostrou a força individual de cada candidatura.

O segundo poderá mostrar a capacidade dessas forças de atuarem juntas.