Governadora rebateu críticas de adversários, resgatou episódios envolvendo José Roberto Arruda e afirmou que não pretende se intimidar diante de ataques pessoais durante a disputa pelo Palácio do Buriti
O debate promovido pelo Metrópoles nesta quinta-feira (10) transformou-se em um dos momentos mais acirrados da atual corrida ao Governo do Distrito Federal. Sob pressão dos adversários, a governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), reagiu aos ataques e adotou um tom firme ao responder especialmente ao ex-governador José Roberto Arruda (PSD).
Em determinado momento do confronto, Celina resumiu sua postura diante do tom elevado utilizado pelo adversário: “Eu não tenho medo de homem que grita”.
A declaração ganhou força nas redes sociais e sintetizou a estratégia adotada pela candidata: não recuar diante das provocações e responder aos questionamentos trazendo para o centro do debate o histórico político e judicial de seus adversários.
“Ele tenta esquecer, mas a história está aí”
Ao rebater Arruda, Celina resgatou episódios relacionados ao período em que o ex-governador comandou o Distrito Federal, incluindo a Operação Caixa de Pandora e as consequências políticas e judiciais que marcaram sua trajetória.
A situação jurídica de Arruda é, de fato, um dos principais pontos de tensão da eleição. Em 3 de setembro, o TRE-DF indeferiu o registro de sua candidatura. Segundo o Ministério Público Federal, o ex-governador foi condenado por improbidade administrativa em processos relacionados à Caixa de Pandora. Arruda recorreu e afirma que pretende continuar na disputa.
O número de condenações e o valor atribuído às obrigações decorrentes dos processos também entraram no discurso eleitoral. Reportagens sobre a impugnação da candidatura apontaram que, segundo cálculos apresentados na ação, os valores atualizados relacionados aos sete casos mencionados chegariam a aproximadamente R$ 645,1 milhões. O montante, porém, decorre de cálculo apresentado no processo e não deve ser confundido com uma única condenação de R$ 645 milhões.
Caixa de Pandora volta ao centro da campanha
A Caixa de Pandora, investigação que abalou a política brasiliense a partir de 2009, voltou a ocupar espaço no debate eleitoral.
Celina utilizou o passado político de Arruda para contestar o discurso do adversário e questionar sua capacidade de apresentar-se como alternativa sem responder às questões relacionadas às condenações.
Em propaganda eleitoral recente, a campanha de Celina também vem explorando o histórico judicial do ex-governador. O TRE-DF chegou a analisar uma representação de Arruda contra uma dessas peças, mas o pedido para suspender a propaganda foi negado.
Arruda também elevou o tom
Durante o debate, Arruda fez críticas duras a Celina e chegou a afirmar que a governadora seria “desqualificada para ser governadora”.
A troca de acusações levou o debate para além das propostas administrativas e colocou o histórico político dos candidatos no centro da discussão.
Em outro momento, Arruda e Ricardo Cappelli fizeram críticas relacionadas a denúncias envolvendo familiares de Celina. A governadora, por sua vez, respondeu dizendo que adversários estariam ultrapassando os limites do debate político.
Nos últimos dias, candidatos adversários também encaminharam representação ao Ministério Público questionando supostos pagamentos de R$ 100 mil mensais a uma empresa ligada à família da governadora. Celina negou irregularidades e afirmou que os serviços possuem documentação fiscal e estão registrados na Receita Federal.
Paula Belmonte também entra na mira
As críticas a Celina não ficaram restritas a Arruda. A candidata Paula Belmonte (PSDB) também protagonizou confrontos durante o debate.
Celina respondeu às críticas mencionando questões relacionadas à situação financeira e patrimonial de Paula. Um dos trechos divulgados pelo Metrópoles traz a afirmação de Celina de que a adversária teria “a casa penhorada” e uma dívida de R$ 234 milhões, ao mesmo tempo em que questionou a capacidade da candidata de administrar o Distrito Federal.
Por se tratar de acusações feitas em um debate eleitoral, os números e afirmações devem ser analisados à luz dos documentos e das respostas apresentadas pelos envolvidos.
Uma eleição marcada pelo confronto
O embate desta quinta-feira ocorre em um cenário no qual Celina aparece na liderança das pesquisas eleitorais. Levantamento Quaest divulgado em 8 de setembro apontou a governadora com 35% das intenções de voto, contra 18% de Arruda e 17% de Leandro Grass. Em simulação de segundo turno, Celina também apareceu à frente de Arruda, por 47% a 30%.
Outro levantamento, da RealTime Big Data, divulgado em 9 de setembro, também colocou Celina na liderança tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Nesse ambiente, o debate ganhou importância não apenas pelas propostas, mas pela capacidade de cada candidato de resistir à pressão e responder aos ataques.
“Eu não tenho medo de homem que grita”
Ao final, a frase de Celina Leão acabou se tornando uma das mais marcantes do confronto.
“Eu não tenho medo de homem que grita”, afirmou a governadora, em resposta ao tom adotado por Arruda.
Mais do que uma resposta pontual, a declaração representa a tentativa da candidata de transformar os ataques em uma demonstração de firmeza política: não fugir do confronto, não aceitar intimidação e devolver aos adversários os questionamentos sobre seus próprios históricos.
A eleição para o Governo do Distrito Federal entra, assim, em uma fase de forte confronto entre passado e futuro e o debate desta quinta-feira deixou claro que, daqui até as urnas, o embate promete ser cada vez mais intenso.
Nota editorial: as acusações e valores mencionados nesta matéria foram apresentados no contexto de declarações, processos ou peças eleitorais; não devem ser interpretados como novas conclusões judiciais além daquelas efetivamente registradas pelas autoridades competentes.














